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Peregrinos de F�tima

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DOM FERNANDO IÓRIO* Éramos trinta e seis. Trinta e seis peregrinos de Fátima. Unidos ali nos encontrávamos, no coração católico de Portugal, para dar graças a Deus, através do amparo de Maria, Mãe do Senhor, pelos 50 anos de sacerdócio de um sucessor dos apóstolos. Éramos peregrinos de inúmeras paróquias da Diocese de Palmeira dos Índios, das Arquidioceses de Olinda, Recife e Maceió. Além do bispo de Palmeira dos Índios, encontravam-se, entre os peregrinos, cinco sacerdotes: Rosevaldo, pároco de Água Branca; Delorizano, pároco de Senhora Santana; Adalto, reitor do Seminário Cura d?Ars, de Palmeira dos Índios; Damião, pároco de São José da Tapera; e Neves, pároco de Jacaré dos Homens. O frio era de penetrar os ossos. Entretanto, incapaz de congelar a fé dos peregrinos que se revelava nos cânticos, na récita do Rosário, nas orações, nas celebrações litúrgicas, nas romarias... Celebramos para o povo no Santuário de Fátima. Na Basílica, concelebramos a Eucaristia em duas capelas: a de Nossa Senhora das Dores e de São José. Revezavam-se bispo e sacerdotes, nas pregações, nas eucaristias e nas orações da manhã, da noite e durante todo o dia. Fátima domina o Portugal religioso. Portugal tem sua origem no topônimo Porto, cidade austera e escura, construída sobre granito que lhe empresta prolongada sombra. O Rio Douro, após percorrer longo e sinuoso caminho por entre montanhas e desfiladeiros intermináveis, após atravessar extensos vinhedos, alcança o Porto, das cidades mais antigas da Europa, conhecida, internacionalmente, pelo vinho que lhe traz o nome. Portugal origina-se de dois assentamentos que fizeram de um e outro lado do Douro: Porto e Cale, donde Portugal. Visitamos Porto, não porque fôramos a Porto, senão porque fomos a Fátima rezar. Na Cova da Iria, onde se ergue, hoje, belíssima Basílica neo-barroca, Lúcia e seus primos, Francisco e Jacinta, se depararam com uma senhora brilhante, falando a língua portuguesa, no alto da azinheira. O fenômeno repetir-se-ia de 13 de maio a 13 de outubro de 1917. A senhora falava sempre na paz. Se o último segredo deixou de ser revelado é mistério de Deus. Atualmente, Fátima é comparável a Lourdes (França) e a Santiago de Compostela (Espanha). A Basílica, onde concelebramos, foi erigida em 1928, com um peristilo semicircular, dominado por uma torre de, aproximadamente, 70 metros. No interior, encontram-se os túmulos de Francisco e Jacinta, já beatificados pelo Vaticano. Lúcia vive, ainda hoje, com seus 96 anos, como Carmelita, em um simples convento, em Coimbra. Em Fátima, sentimos o poder da oração. Regressamos felizes pelo que em nós Deus operou, mormente quando algo me aconteceu no segundo dia de peregrinação: de repente, desapareci do grupo, por 3 horas. Onde estaria o jubilado? Todos rezavam, alguns choravam, ainda outros se deram ao trabalho de procura na floresta quilométrica. Quando, mais que de repente, descobri a posição, no topo da serra, de meus irmãos peregrinos que, estáticos me abraçavam, vez que já me consideravam perdido na floresta imensa. Tudo aconteceu em Braga, na subida quilométrica da Igreja de Bom Jesus do Monte, o Santuário mais espetacular de Portugal. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

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