Opinião
O vírus e a nova era I – Distopia
.
Não sabemos ainda quais serão os desdobramentos do isolamento social para uns ou do “confinamento social” para outros. O fato é que entendo ser muito difícil a manutenção do isolamento/confinamento por tempo indeterminado. Uma “quarentena” propriamente dita não será. Esta prisão domiciliar a que fomos condenados pelas nossas contradições morais e idiossincrasias, parece que será bem mais prolongada do que imaginamos.
Se não for, será uma tragédia anunciada. A quarentena deveria ser longa, pois de agora em diante, o crescimento de infectados será exponencial. Com o aumento pregressivo de vítimas diárias fatais, este crescimento deverá passar de exponencial a uma progressão geométrica. Só a partir de então as pessoas irão atentar para a gravidade do vírus e sua alta taxa de mortalidade. Daí em diante teremos uma inversão do atual contexto, com um desespero coletivo da sociedade, se trancando espontaneamente em casa para tentar sobreviver. Neste momento provavelmente teremos o total colapso das cadeias econômicas produtivas, sendo a mais grave a de abastecimento: da agricultura ao supermercado. Muitos dos nossos médicos elitistas e a elite brasileira em geral, irão se isolar e muitos poderão até sair do país, em busca de nações onde a pandemia esteja um pouco mais controlada. Os hospitais também entrarão em colapso, com muitos profissionais da saúde abandonando seus postos, dado a falta de EPIs e condições de trabalho e da sentença de morte anunciada pelo imenso número de perdas dos profissionais de linha de frente em todo mundo. Já morreram centenas de médicos, enfermeiras e paramédicos mundialmente. O Brasil em primeiro lugar. A pandemia, no meu entendimento, está apenas nos seu primórdios. O rastro de destruição da Covid-19 será de proporções apocalípticas, promovendo um enorme retrocesso de natureza civilizatória da humanidade. Enquanto não houver a descoberta e a cura para a Sars-cov-2, este o verdadeiro nome da besta que veio para dizimar boa parte da população interplanetária, o mundo não voltará a normalidade da pré-pandemia. Este é um vírus que dividirá a história da civilização entre antes e depois do seu advento. Os povos de todos os continentes passarão por momento distópicos, se confirmado o pior cenário desta pandemia com alto poder destrutivo, não só de vidas humanas, mas de conceitos de sociedades, de relações interpessoais, sociais, humanas e psicológicas entre as pessoas. Passaremos por profundas transformações dos modelos macro-econômicos, formulações ideológicas e teorias no âmbito das relações internacionais, promovendo mudanças importantes nos sentimentos humanitários e de regras e códigos de convivência democrática, social e humana. Estamos falando de rupturas entre civilização e barbárie. Isto me leva a reflexão sobre a natureza histórica do vírus que poderá dizimar a raça humana na terra ou pelo menos a civilização como a conhecemos hoje. Uma boa resposta pode estar no drama “O Livro de Eli”, de Albert e Allen Hughes, de 2010, estrelado por Denzel Washington e que fala de um outro mundo distopico, destruido por um vírus tambem altamente letal, o da insanidade de uma guerra nuclear.