Opinião
Mãe não deveria morrer
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Pois é, Mainha, finalmente chegou a sua hora. Momento por você tão esperado desde a partida de meu pai, Rostand, ideia jamais aceita por nós que lhe amamos. Porém, por mais que sofra com a dor da separação, encontro forças para aceitar o acontecido e em minha mente, liberá-la para uma nova vida ao lado do seu Rock, onde, tenho certeza, voltará a ser a menina Marlene que um dia ele conquistou e juntos seguirão felizes.
Apesar de cultivar a certeza de que mãe não deveria morrer nunca, seguirei a rota dos primeiros passos que dei rumo a quem hoje sou, pois eles foram guiados por suas mãos. Por este motivo, lhe digo que permanecerei buscando forças para que o meu comportamento seja digno tanto do seu orgulho quanto do que o mundo de mim espera.
Sei que por mais que me esforce, não conseguirei imitá-la, pois sempre foi forte como as montanhas, nunca permitiu a existência de lama nas estradas dos seus pensamentos, nem folhas mortas nos riachos das suas intenções, mas com certeza seguirei praticando os seus ensinamentos, respeitando os meus semelhantes, desenvolvendo com carinho as minhas atribuições e reverenciando as suas lembranças.
A senhora, minha Mainha, é o meu orgulho, pois em sua jornada soube escrever uma linda história, repleta de bondade, responsabilidade, compreensão e otimismo, fazendo com que até pessoas que nem delas mesmas gostavam lhe admirassem. Para mim, a senhora sempre foi tão grande quanto o Sol, a quem acostumei a adorar; pura como a Lua, desde quando me ensinou a rezar, e clara como o dia, todas as vezes em que me incentivou a agir. Por isso não foi difícil muito lhe querer. Não tem sido fácil. Lembro-me das nossas últimas conversas, quando, já na UTI do Hospital Veredas, perguntou por Aninha e seus netinhos, encontrando forças para afirmar estar triste por entender que jamais os veria novamente. Eu engoli o choro, mamãe, mas o meu coração se partiu em dois, ficando uma das partes coladinha ao seu, desde aquele momento. Como a sua pessoa era querida, Mamãe! Deixou órfãos não somente a mim e a Marcinha, mas também milhares de pessoas que lhe chamavam de “mãe”, Alagoas afora, filhos que aos poucos foram adotados ao longo da sua existência, que hoje muito sentem a sua partida e, tenho certeza, que estão agora a lhe dizer adeus com tamanha saudade que, por não caber no coração, insiste em escorrer através dos olhos. Não importa se a vida é um filme de curta ou longa-metragem. O que vale é o fato de a senhora haver vivenciado intensamente o seu protagonismo. Como a morte não é um fim, e, sim, uma separação temporária, um dia, no futuro, estaremos juntos novamente. E até lá, continuarei a lhe amar profundamente. O que mais me dói é que, a partir de agora, não mais poderei lhe tomar a benção como fazia todas as vezes que nos falávamos em um único dia, e, nessas oportunidades, escutar a sua voz: “Deus te abençoe e faça um homem de bem, meu filho. Seja como você é, não precisa mudar em nada!”. Saiba que a sua memória será constantemente honrada, o seu nome e a sua história por anos a fio serão repetidos com amor, carinho e respeito, pois continuarão eternamente presentes nas vidas dos que lhe estimam. Até Sempre!
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