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Opinião

Coragem para sanear

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Por Editorial | Edição do dia 27/06/2020 - Matéria atualizada em 26/06/2020 às 21h46

Há cinco anos, ao celebrar o septuagésimo aniversário da ONU, em Nova York, chefes de Estado e de governo definiram uma meta: acabar com a pobreza e a fome no planeta até 2030.

Entre os objetivos dessa tarefa monumental, destacaram o acesso universal à água potável, ao saneamento e higiene adequados para todos. A roda do tempo girou e aqui estamos na maior crise sanitária deste século. Se o tema qualidade de vida já vinha mobilizando a pauta mundial, imagine agora diante do desafio pós-pandemia. Um deles é a superação do atraso no setor de saneamento básico. O Atlas Esgoto, recentemente elaborado pela Agência Nacional de Águas, aferiu cem milhões de brasileiros sem coleta de esgoto residencial. Em Alagoas, a vulnerabilidade social torna o cenário ainda mais dramático, o que exige esforço para alcançar a meta da universalização do serviço. Num momento em que entra em cena o novo marco legal do saneamento básico, aproximam-se as eleições municipais, quando o papel dos municípios e a performance de seus gestores estarão sob avaliação. O assunto deverá compor os debates e ganhar novo impulso na agenda das cidades. Já o Estado tenciona avançar no que denomina “subconcessão” da Casal, que consiste na entrega ao setor privado do serviço de distribuição e gestão comercial do sistema de água e esgoto de Maceió e mais treze municípios. É a área que vai de São Miguel dos Campos a Barra de Santo Antonio. A polêmica já começou. Há municípios dessa área defendendo o SAAE. Marechal Deodoro, São Miguel dos Campos e Barra de Santo Antonio, por exemplo, alegam que o modelo é superavitário e presta serviço regular à população. Em tempo de retração econômica, quem garante investimentos em água e esgoto? E a tarifa social, vai ser mantida? O que se reserva aos locais deficitários? E como fica a autonomia municipal? Com a economia combalida, aumenta a expectativa de a nova legislação sobre saneamento estimular alternativas para injeção de recursos. E as “subconcessões”? Elas não deveriam prosperar sob a égide do conflito. É preciso dialogar e ouvir o poder municipal. Até porque o momento torna a discussão inevitável sobre o futuro das cidades e a saúde de quem mora nelas. Quando o gesto de lavar as mãos virou uma espécie de mantra, a realidade impõe ao governante a revisão das prioridades. E aí, em vez de espalhar asfalto a olhos vistos, a escolha talvez exija coragem para trabalhar com mais obra debaixo da terra. Afinal, o novo tempo que se avizinha não admite que a qualidade de vida entre pelo cano.

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