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Opinião

Fim de Festa

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Por MILTON HÊNIO. médico e membro do Conselho Estratégico da Organização Arnon de Mello | Edição do dia 27/06/2020 - Matéria atualizada em 26/06/2020 às 21h47

Segunda-feira, dia 29, é o término de um mês de alegria para o povo nordestino. Junho é marcado no Nordeste por cantorias, danças, rezas, fogos, boa culinária, fogueiras, tendo como pano de fundo, quase sempre, uma chuva fina. Começa no dia primeiro com a trezena de Santo Antônio, cujo ponto culminante é no dia 13; depois vem o São João e termina com o Dia de São Pedro, comemorado também pela esforçada classe dos pescadores. E qual a relação de São Pedro com os pescadores? É que ele era um pescador e Cristo costumava usar sua barca para ensinar ao povo na praia, para suas travessias no mar da Galiléia. Durante uma tempestade, Jesus dormia. Seus companheiros de barca ficaram apavorados, acordaram-no aflitos. Ele acalmou a tempestade e reclamou da falta de confiança deles em sua pessoa. São Pedro, apesar de ter negado aquela amizade tão preciosa num momento tão crítico da vida do Cristo, foi por Ele perdoado, tornando-se seu amigo tão fiel que foi o escolhido como chefe de sua Igreja.

Em nenhum período do ano o povo nordestino sente-se tão à vontade, vivendo no meio da família e dos amigos, em sítios, ruelas, fazendas e salões, todo o calor das festas juninas. É a época em que brota de maneira extraordinária todo o esplendor do nosso folclore. Nos sertões do Nordeste, onde existe o Polígono das Secas, vive uma população considerada das mais pobres do Brasil e nem por isso, deixam de cantar, de dançar e de sorrir nessa época. Batidos pela inclemência do sol, pela escassez de água e de alimentos, aquela gente produz uma riqueza folclórica exuberante. Você escutar o desafio de repentistas do Nordeste, completamente espalhados por nossa região, dando alegria e vida aos acontecimentos sociais de suas populações, é maravilhoso. Vejamos um pequeno trecho de um deles: “Todo homem quando viaja/ deve rezar uma vez/ quando vai à guerra duas, e quando se casa três”.

A música faz parte desses festejos de forma destacada. E Luiz Gonzaga é o sinônimo de festas juninas. Até hoje, depois de tantos anos falecido, suas encantadoras músicas não deixam de ser ouvidas em todos os lugares onde se comemora o São João: “Asa Branca”, “Assum Preto”, “Feira de Caruaru”, “São João na Roça” e tantas outras que alegram o viver do nordestino nesses dias de Junho. Eu, particularmente, tenho imensa saudade das festas juninas do meu passado. As ruas de nossa querida Maceió, sem calçamento, eram repletas de fogueiras, onde as famílias em todos os bairros se entrelaçavam numa alegria sem fim. É uma pena que em consequência dessa pandemia, o nordestino não tenha tido a alegria de comemorar este ano os festejos juninos. Aproveito este espaço para apresentar ao meu caríssimo amigo Rostand Lanverly de Melo, o meu profundo sentimento pelo falecimento de sua inesquecível mãe Marlene, que ao partir, deixou um imenso legado afetivo, fruto de uma existência grandiosa.

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