Opinião
ESTAGNAÇÃO
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De acordo com dados divulgados ontem pelo IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 4,1% em 2020. Trata-se da maior queda anual da série iniciada em 1996 e interrompeu o crescimento de três anos seguidos, de 2017 a 2019, quando o PIB, que é a soma de todas as riquezas produzidas no País, acumulou alta de 4,6%. Com o tombo histórico, o Brasil saiu do ranking das 10 maiores economias do mundo e caiu para a 12ª colocação e foi superado em 2020 por Canadá, Coreia e Rússia.
Estimativas feitas por técnicos da Fundação Getúlio Vargas mostram que o Brasil fechou o período entre 2011 e 2020 com um crescimento médio anual de apenas 0,3%. Até então, a pior década econômica tinha sido a observada nos anos 1980, que foi chamada por economistas de “década perdida”, quando o PIB brasileiro avançou em média 1,6% ao ano no período. A taxa média de crescimento de apenas 0,3% ao ano pode ser interpretada como uma “estagnação”. Analistas econômicos atribuem a estagnação a fatores como o choque trazido pela pandemia do novo coronavírus, mas também pela crise dos anos 2015 e 2016, durante os governo de Dilma Rousseff e Michel Temer. Foram 11 trimestres seguidos de recessão no meio da década. Depois foram três anos de lenta recuperação, mas aí veio a pandemia. Por enquanto, as perspectivas para 2021 ainda não são boas. O recrudescimento da pandemia, o atraso na vacinação e a piora nas condições financeiras provocadas por questões políticas e fiscais possivelmente vão comprometer o resultado do ano. O desemprego se encontra nos maiores níveis da série histórica, e o trabalhador está com sua renda corroída pelo aumento do preço dos alimentos e dos combustíveis. A queda do PIB no ano passado só não foi maior por causa do auxílio emergencial. Para este ano, além de acelerar a vacinação, o governo preciso urgentemente planejar outras saídas e, sobretudo, melhorar o ambiente político, para focar nas reformas estruturais que poderão dar dinamismo ao ambiente de negócios e estimular a retomada da economia. O País necessita de uma agenda clara e propositiva.