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Opinião

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Pesquisa realizada pela Associação Paulista de Medicina, com profissionais de 23 estados, mostra que 21,5% deles dizem acreditar que o número de mortes provocadas pelo novo coronavírus é maior do que as estatísticas oficiais nacionais. Para 45,4%, o volume de casos é superior ao informado pelo Ministério da Saúde. A desconfiança é um pouco menor em relação aos dados das secretarias estaduais de saúde: 18,5% veem subnotificação dos óbitos e 37% da quantidade de casos.

Parte dos profissionais de saúde diz acreditar que há um descolamento entre as estatísticas e a realidade dos hospitais, porque o movimento de atendimento continua. Outro ponto que gera essa desconfiança é a falta de testes. As notificações nos órgãos oficiais partem sobre notificações obrigatoriamente testadas. Também foi relatada a falta de testes para profissionais de saúde com sintomas de Covid-19. Segundo 25,4% dos médicos, nem todos os lugares onde trabalham há exames para esses profissionais e 5,1% disseram que não há testes em nenhum dos locais onde atuam. A maior parte dos médicos avalia que as notícias falsas e boatos têm atrapalhado no combate à doença. Para 69,2%, as fake news fazem com que parte da população minimize a pandemia e não siga todas as orientações necessárias para reduzir o contágio. Outro problema, apontado por 48,9%, é que a desinformação faz com que as famílias e pacientes pressionem pela prescrição de tratamentos sem comprovação científica. O fato é que, no Brasil e no mundo, existe um cenário de incerteza sobre a taxa de mortalidade da Covid-19. Essa incerta dificulta a implementação de políticas públicas para o controle da situação. Embora o Brasil esteja ampliando o número de testes da população, esse número ainda é insuficiente. O resultado é que o País não consegue fazer um retrato preciso dessa tragédia. Assim, não há condições de dar segurança plena quanto às medidas de flexibilização e corre-se o risco de dar meia-volta após autorizar a reabertura das atividades econômicas. A prudência, então, deve ser redobrada.

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