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GILBERTO DE MACEDO * Diálogo é convergência na lógica da linguagem, em forma de pergunta e resposta. Pergunta com sentido e resposta com significação. É ato peculiar do homem. Desde tenra idade a criança começa a fazer perguntas aos familiares e aos circunstantes. É o início da aprendizagem visando à adaptação e à socialização; por isso deve merecer toda atenção dos adultos, em vista, sobretudo, pela espontaneidade e sinceridade das interrogações. É da normalidade das pessoas viver procurando dialogar. Logo quando se pergunta a si mesmo nos momentos de reflexão solitária: quem sou eu? E quando se volta para a realidade externa: o que é? É a busca para desvendar o mistério da existência. Curiosidade da inteligência. Quem não pergunta não aprende. Não conhece a realidade, vive sempre na obscuridade. Uma cegueira total: vê mas não sabe, tateia mas não percebe, movimenta-se mas não identifica o caminho. É a interrogação verbal que é capaz de levar à elucidação de um fato, ao entendimento de uma idéia, à compreensão de um fato, à compreensão de um sentimento. É quando se pergunta, espera-se uma resposta, seja para satisfazer uma curiosidade, seja para dirimir uma dúvida. Leva ao relacionamento humano sadio, agradável. Atende à necessidade de comunicação humana, que é ato saudável e construtivo. Se não acontece, tal na pessoa fechada, voltada inteiramente para dentro de si mesma, então já é caso de anormalidade doentia. Assim, indagar é manifestação da vivacidade de um intelecto criativo. Fazem os cientistas, os artistas, os filósofos, criar suas pesquisas, suas obras, seus pensamentos. Sem isso, não haveria descoberta, nem beleza na arte, nem saber. Seria o mundo sem luz, sem progresso, sem sabedoria. Seria o reinado das trevas. Vem daí a correta observação do antropólogo Claude Levi Strauss de que ?é o cientista não o homem que fornecem as verdadeiras respostas, é quem faz as verdadeiras perguntas?. Saber perguntar já é, então, alguma forma de saber. Daí, sua importância essencial na vida humana em todas as atividades e, sobretudo, na escola, da oportunidade de Guimarães Rosa dizer: ?O que se aprende mais, é só fazer outras maiores perguntas?. Para tanto, então, é preciso ser devidamente dirigida é preciosamente formulada. Assim, a um biólogo pergunta-se: o que é a vida? a um físico, o que é matéria? a um psicólogo, o que é a mente? a um sociólogo, o que é a sociedade? e assim por diante. A resposta deve, então, atender ao sentido da pergunta. Daí, como já foi dito no início, a importância insuperável do diálogo na educação escolar, onde o nexo ensino aprendizagem, já diz da função do diálogo: da emissão do conceito pelo professor e sua recepção pelo aluno, donde a necessidade deste fazer perguntas e a obrigação do professor responder. Por isso, Montaigne podia dizer: ?Não quero que ele invente e fale só; só quero que escute o seu discípulo falar por sua vez?. E antes, já o filosofo Xenofonte afirmava que ?perguntar é ensinar?. Isso quando, na mente de quem ouve, desperta uma nova idéia. Afinal, desse modo há de se cultivar e aperfeiçoar o diálogo em todos os setores e fases da vida. É uma necessidade fundamental da condição humana. (*) É MÉDICO

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