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Opinião

O ensino da Medicina

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JOSÉ MEDEIROS * Voltei ao Hospital Universitário, dessa vez, para participar do ?Encontro de Educação em Ciências da Saúde?, durante o qual estava prevista uma mesa-redonda sobre a contribuição da literatura na formação do profissional dessa área. É imprescindível a importância de conteúdo cultural no desempenho de qualquer profissão. Medicina não escapa a essa regra. Historicamente, até meado do século XIX, predominava o ?saber humanístico? na formação do médico; a ciência apenas ensaiava os primeiros passos. A partir dessa época, os avanços da Biologia, da Química e da Física inverteram esse quadro: a tecnologia e o biologismo passaram a dominar as fontes da aprendizagem nos cursos de Medicina. A Literatura, Filosofia, Arte e História foram perdendo gradualmente sua importância. Esse é um tema atual. Em todo o País reativaram-se as discussões sobre a reorganização e atualização dos currículos de ensino nas faculdades de Medicina. As entidades maiores da categoria concluem que é necessária uma melhor formação intelectual e cultural dos que pretendem exercer a ?arte de curar?. Com o que se ensina atualmente nessas faculdades está sendo preparada uma geração para atuar nos próximos 30 ou 40 anos, que vai conviver com alucinantes avanços científicos e tecnológicos. Serão mais amplos os conceitos de saúde e de doença, cada vez mais interligados à vivência comunitária e aos fatores ambientais. Para enfrentar esses desafios serão necessárias não somente habilidades, mas motivação, criatividade e compromisso social. As Diretrizes Curriculares, do MEC/2001, avivaram o incêndio dessas discussões. Recomendam ?que a estrutura do curso médico inclua dimensões éticas e humanísticas, contribuindo para o desenvolvimento de valores orientados para a cidadania?. O escritor e médico Moacir Scliar, que ministra cursos extracurriculares na Faculdade de Ciências Médicas de Porto Alegre, afirma: ?Disciplinas ligadas à cultura e à arte são obrigatórias em grande número de escolas médicas nos Estados Unidos. No Brasil, há uma reação preconceituosa sobre a incorporação das chamadas ?humanidades? no curso de Medicina?. Nessa reunião, no Hospital Universitário, ao lado dos expositores-médicos Agatângelo Vasconcelos e Isaque Soares de Lima, tivemos a oportunidade de ouvir muitas considerações sobre essa temática proposta; é discussão que merece ser aprofundada, pois disso poderá resultar a construção de um outro perfil do processo pedagógico atualmente utilizado. O êxito do evento muito se deve ao trabalho de organização eficiente das médicas professoras Rosana Vilela e Ângela Canuto. É possível encontrar uma linha de equilíbrio na formação dos que estão se habilitando ao desempenho da Medicina, preservando aspectos técnicos e científicos, princípios de ética e conteúdos de conhecimentos humanísticos. São muitas as escolas médicas que perseguem essa preciosa fórmula. Ao falar do ensino da Medicina no Estado de Alagoas, não se pode deixar de ressaltar o papel relevante e pioneiro da tradicional Faculdade de Medicina de Alagoas, que, a partir de 1956, formou uma geração de médicos alagoanos. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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