Opinião
O Brasil não vai virar uma Ucrânia
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Ao ler a carta de resposta da embaixada da Ucrânia no Brasil à revista Veja, reconheço o uso de vocabulário considerado por entidades do movimento negro brasileiro como expressões racistas. Ao exemplo do que venho afirmar, o uso da palavra “denegrir”, pejorativamente significa “tornar negro”, como se fosse algo ruim. Tal atitude pode ser classificada como deboche ou burrice, se estão tentando provar alguma coisa, deveria-se tomar certos cuidados... Usar expressões polêmicas, justamente por questões raciais, étnicas e culturais, em um momento em que são acusados de nazismo e que o mundo pega fogo pelo racismo que matou George Floyd, um homem negro estadunidense, não me parece uma atitude acertada para um governo como o da Ucrânia, que possui um histórico de golpe de extrema-direita recente e de genocídio contra os russos étnicos do leste do país, na região que hoje se encontram as autoproclamadas Repúblicas de Donetsk e Lugansk.
O nazismo é uma realidade e conquistou o poder no país eslavo e o caso mais emblemático, sem dúvidas é o do Batalhão Azov, que, apesar de ser acusado de ser um batalhão paramilitar assumidamente neonazista, foi incorporado na reserva das Forças Armadas ucranianas e hoje está subordinado ao Ministério do Interior daquele país. Segundo o pesquisador Andreas Umland, vários voluntários estrangeiros estavam nas fileiras dos batalhões. “Algumas pessoas vieram pra cá por motivos ideológicos, principalmente neonazistas. Outros vieram na busca de uma aventura”. Ao pesquisar por Sara Winter no Google, acabei me deparando com uma informação na Wikipédia que diz que “Sarah Winter foi uma notável defensora nazista britânica e membro da União Britânica de Fascistas, bem como anfitriã da Sociedade durante as décadas de 1920 e 1930”. Curioso que uma mulher, brasileira, que afirma ser admiradora de Plínio Salgado, fundador da Ação Integralista Brasileira, um partido fascista da década de 30, use o pseudônimo Sara Winter, radical de extema-direita e que pede por uma “ucranização” do Brasil, tenha adotado justamente este nome. Apesar de negar envolvimento com o neonazismo tupiniquim, a informação é contestada pelo seu irmão de sangue. Ele afirma que Sara é nazista sim e que abandonou o próprio filho aos cuidados de sua mãe.
Seja como for, ela tenta de diversas formas esconder seu passado, inclusive tatuando flores por cima de uma antiga tatuagem em seu peito, da Cruz de Ferro, honraria concedida aos soldados alemães. As suas ações no presente corroboram com sua nebulosa ideologia. Hoje ela se encontra em prisão domiciliar por um atentado terrorista em frente ao Supremo Tribunal Federal, onde sua milícia paramilitar conhecida como “300 do Brasil”, disparou fogos de artifício contra o prédio da instituição, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Em seu Twitter ela diz ter sido treinada na Ucrânia, estar com Bolsonaro e afirma que “chegou a hora de ucranizar”. Sara também foi responsável pela tentativa de protagonizar um ato semelhante ao que ocorreu nos Estados Unidos em Charlottesville, que ficou conhecido como “Sou nazista sim”, carregando tochas iguais às do grupo racista Ku Klux Klan, porém, com poucos adeptos, o ato também ocorreu em frente ao STF e felizmente fracassou.