Opinião
Crianças e o excesso de atividades
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Todos os pais sonham com filhos inteligentes, com carreira sólida, com um futuro de sucesso, com filhos talentosos, que consigam realizar diferentes projetos, que tenham destaque, que desenvolvam habilidades esportivas, musicais, idiomas… ufa! E quem sabe também os muitos sonhos que não conseguiram alcançar e projetam em seus filhos.
Diante dessa expectativa, os pais acabam por sobrecarrega-los de atividades extracurriculares, acreditando que assim eles poderão alcançar esse futuro de sucesso. Muitos pais desconhecem o valor do tempo livre para a criança, porque acreditam que só as habilidades que aprendem na escola a levarão para o tão sonhado futuro promissor, mas são nas brincadeiras infantis, quando está livre para usar sua imaginação, criar cenários, brincar com outras crianças, resolver conflitos, negociar, esperar a vez na brincadeira, que irão criar competências para lidar melhor com as questões do mundo adulto, onde nos são exigidos resiliência, persistência, habilidades sociais. Uma agenda super atarefada não oportuniza a criança experienciar esses contextos lúdicos, ficando limitada a horários, protocolos, exigências, ocasionando cansaço, muitas vezes, agitação, por viver uma rotina corrida e a impedindo de ser criança. No livro, o cérebro que diz sim do autor Daniel Siegel, psiquiatra e professor da Universidade da Califórnia, UCLA, ele cita que a NASA e laboratório de Propulsão a Jato, na hora de contratar os seus funcionários, dão prioridades para os graduados que tiveram um forte histórico de brincadeiras e trabalhos manuais durante a infância e adolescência. A conclusão é que são melhores na solução de problemas, tem habilidades para resolverem questões inesperadas tanto do contexto do trabalho como também da vida. Assim, a importância do brincar para o desenvolvimento infantil é uma temática que precisa ser revista nos dias de hoje para que as crianças voltem a ter tempo para elas e os pais, podem ajudar nesse processo ao observar se não estão sobrecarregando demais seus filhos. As vezes uma agenda muito cheia é mais prejudicial do que construtivo para o bem-estar das crianças.