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Nessa quinta-feira, o Brasil ultrapassou os 2 milhões de infectados pelo novo coronavírus. Foram mais de 43 mil casos confirmados em 24 horas. Também foram registradas mais 1.299 mortes por Covid, o que eleva o total de vítimas para quase 77 mil. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil na última semana foi de 1.081 por dia, uma variação de 6% em relação aos óbitos registrados em 14 dias. Os dados oficiais mostram que o número de casos dobrou em menos de um mês.

Em maio, havia a discussão se o Brasil poderia se tornar o novo epicentro do coronavírus. A realidade mostrou que o temor não era infundado. As medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos por um lado conseguiram achatar a curva de desenvolvimento da epidemia, mas aos poucos a população foi abandonando lenta e progressivamente o confinamento. Junte-se a isso o negacionismo do presidente Jair Bolsonaro e parte do governo, que desde o início questionaram a eficácia da quarentena e defendiam o chamado isolamento vertical, ou seja, isolar apenas pessoas do grupo de risco. A visão de Bolsonaro acabou provocando a saída de dois ministros da Saúde. Ressalte-se que o Brasil é um país com grande desigualdade socioeconômica. Grande parte da população não tem acesso a saneamento básico e mora em condições precárias. Não conta, portanto, com as condições adequadas para se proteger do vírus. A pandemia entrou no País pelas classes alta e média alta, em suas viagens à Europa. Depois espalhou-se nas áreas mais vulneráveis, onde alcançou proporções catastróficas. A pandemia também tem sido um grande teste para nosso já combalido sistema público de saúde, que, por mais deficiente que seja, se mostrou imprescindível. Embora alguns estados já estejam afrouxando as medidas de isolamento, alegando que os números vêm caindo, o fato é que é preciso muita cautela. O fator econômico é importante, mas a vida humana continua sendo mais importante ainda.

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