Opinião
O porquê de estarmos mais atentos na pandemia
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O nosso cérebro trino é composto, de forma didática, segundo o neurocientista Paul MacLean, (1990) em três partes, a saber: o cérebro reptiliano responsável pelos nossos instintos e as memórias de longo prazo; o cérebro límbico que responde pelas nossas emoções e sentimentos e o cérebro neocortex dedicado à nossa racionalização. Uma das características desse cérebro trino é ser diligente com relação à manutenção do equilíbrio homeostático, ou seja, permitir com que as funções orgânicas do corpo sejam realizadas. Para tanto, segundo o neurocientista David Eagleman, (2012) dois aspectos são relevantes. A primeira é a velocidade. Fazendo uso de atos reflexos as decisões que serão tomadas e, neste momento, a consciência não é acionada tornando-nos reféns dos nossos instintos. O segundo aspecto seria a eficiência. O cérebro não quer demandar mais energia do que o suficiente para a sua principal função, a sobrevivência, para tanto faz uso de atalhos mentais denominados de heurísticas com base nas experiências vivenciadas e memorizadas ao longo de sua história.
Em razão desses aspectos, o cérebro, na maioria das vezes, opera no seu modelo default, tornando-nos algo como “zumbis especializados”, cujos hábitos adquiridos e as crenças acreditadas tomam a dianteira em nossas decisões e atitudes. Porém, as mudanças do ambiente decorrentes dos novos procedimentos de convívio estabelecidos pelos protocolos anunciados pelos infectologistas e operacionalizados pelos gestores públicos aciona nossa atenção. Essa “nova” realidade faz com que estejamos mais vigilantes aos fatos e atos que nos cercam, exigindo mais a nossa atenção e, portanto, de nossa consciência. Se por um lado, esse excesso de vigília nos demandará mais energia para que possamos melhor nos adaptar às regras estabelecidas, também amplia nossa capacidade de percepção observando e considerando situações e proposições que anteriormente eram desconsideradas. Portanto, deveremos explorar esse momento ao nosso favor quebrando hábitos e revendo crenças que estavam norteando nossos comportamentos e nos distanciando, em muitos casos, de explorar oportunidades que proporcionariam melhores benefícios e retornos do que o status quo até então estabelecido.