Opinião
Quase ver�o
MARCOS DAVI MELO * Estamos entre os que chegam mais cedo ao hospital diariamente. Quando estacionamos o carro pouquíssimos são os colegas que lá chegaram. Já imaginamos que isto fosse uma virtude, hoje não sabemos, talvez os que dormem mais e comecem a trabalhar mais tarde, estejam mais relaxados, vão viver mais e melhor. Mesmo porque sair de casa cedo não evita os transtornos do trânsito em Maceió. Cidade de ruas estreitas, a cada dia torna-se mais difícil trafegar aqui. Os ciclistas e ambulantes transitam sempre em sentido contrário à mão única dos automóveis. Na luta pela sobrevivência em uma cidade sem opções de emprego, surgem abruptamente e aos borbotões, enfrentando atabalhoadamente os automóveis que vêm em sentido contrário. É um fino aqui, outro ali. Desafortunadamente, provavelmente por sair de casa cedo, não temos conseguido ver os muitos guardas de trânsito que presumimos existam em Maceió. Possivelmente por miopia noturna, também não os temos visto à noite quando voltamos para casa. Devem estar em algum lugar, onde quase nunca passamos, embora costumemos trafegar pelas vias mais usuais de nossa cidade. Certamente, os sofridos ambulantes e ciclistas não são os únicos culpados por nosso trânsito ser o que é. Os nossos motoristas estão a cada dia mais abusados e violentos. Sinalização para entrar à direita ou esquerda foi totalmente esquecida aqui. Os ônibus, das muitas linhas que atravancam o sufocado centro da cidade, deveriam resguardar o espaço próprio para os coletivos. Mas competem ou superam em ferocidade os carros menores, ocupando espaços que não seriam seus e aglomeram-se obstruindo o tráfego. A Ponta Verde e a Pajuçara, nesta época, não se fazem de bestas e dão a sua colaboração. Não nos forçam a transitar pela espaçosa e vaidosa beira-mar e ter contato com aquela coisa desagradável que é o oceano daquela região. Mas a falta que sentimos dos guardas de trânsito foi fartamente recompensada este fim de semana. Saindo para um banho de mar na Barra de São Miguel, no domingo, inicialmente houve a satisfação de enfrentar um engarrafamento monumental na Trikem. Dali em diante foi um prazer inigualável. Só usávamos a primeira marcha. Andávamos um, dois metros e parávamos. Logo, carros ensandecidos cortavam pelos dois lados: no acostamento e na contramão. Um divertimento longo e relaxante. Era uma manhã radiosa de sol a pino. Já perto do meio-dia e aquele imenso e agradável engarrafamento, deleitando a todos. Os turistas, como os da terra não devem ter do que reclamar. No posto da Polícia Rodoviária, enfim, a razão daquele prolongado lazer ao ar livre: os guardas de trânsito estavam concentrados ali, além do Bope com o seu notável aparato bélico. Uma reforçada blitz para garantir a tranqüilidade e o sossego de todos. É a temporada de verão que está apenas começando em Maceió. (* É MÉDICO