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Opinião

Copo de leite e suco de laranja

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O Presidente Bolsonaro e o seu governo têm se caracterizado por duas vertentes cada vez mais evidentes: o fascismo e o crime organizado. Talvez estejamos inaugurando um esdrúxulo fascismo miliciano neoliberal. O proto-fascismo bolsonarista não pode ser tipificado sequer como sendo de corte ideológico e sim de natureza patológica. Ele não se fundamenta, historicamente, na doutrina fascista, cuja formulação e elaboração remonta ao final do século XIX, mas que ganhou grande visibilidade e capilaridade em meados do século XX, com a ascensão do Duce (Líder) Benito Mussolini ao poder na Itália e com a consolidação do nazismo, quando Der Füher (“O Líder”) Adolf Hitler, conquistou a maioria política relativa na Alemanha, para implantar o seu utópico terceiro Reich de mil anos.

O que poderíamos chamar, ironicamente, de bozofascismo, é pautado pelos piores aspectos do fascismo histórico, que é o aspecto totalitário e de militarização da sociedade. Neste modelo doutrinário está implícito, em vários níveis, o preconceito em relação às raças, gêneros e classes sociais. O bolsonarismo se consolidou por este viés do fascismo, caracterizado pela opressão e imposição de uma visão totalmente distorcida da evolução da civilização. Por esta razão, as elites, e até mesmo partes da direita mais polida humanisticamente, começam a rejeitá-lo. A truculência, a prepotência e a incontinência verbal dos bolsonaristas de raiz têm assustado, sobretudo, setores da classe média que flertaram com a ascensão de Bolsonaro, muito mais pelo antipetismo, do que por uma identificação de princípios e ideais. Certamente já estão arrependidos. A fração cada vez menor da população brasileira, que ainda compra a narrativa bolsonarista, são os que se identificam com o discurso de extrema-direita chulo daquele que consideram um “mito” e que compartilham caráter e ética similar ao líder que seguem, e ainda por àqueles que possuem evidente dificuldade de natureza cognitiva em perceber o que o grupo que está no poder representa em termos de retrocesso civilizatório. Nem mesmo a “óbvia ululante” ligação do laranja e miliciano Fabrício Queiroz com a família Bolsonaro ou a mais complexa simbologia dos bolsonaristas que estão no governo, quando saúdam atos com o copo de leite, são capazes de acordar o gado cego que idolatra “o capitão” que conduz o nosso país ao neocolonialismo imperialista americano. É a obtusidade e subserviência levada ao extremo. O copo de leite, para quem não sabe, é considerado um símbolo de supremacia branca, tanto pela sua “insuportável brancura”, como pelo fato dos novos supremacistas da Ku Klux Klan entenderem que o leite é um alimento que fortalece biologicamente o homem superior, a fictícia raça ariana inventada pelos teóricos do nazismo. Os filmes “Corra”, de 2017, do diretor americano Jordan Peele ou o aclamado “Bastardos Inglórios”, de 2009, do famoso cineasta Quentin Tarantino, possuem cenas que demonstram claramente a ligação do leite as teorias racistas e totalitárias. Já o contexto da prisão de Queiroz me lembram o título do filme brasileiro “O Homem que Virou Suco”, de 1981, dirigido por João Batista de Andrade. Interessante observar que o copo de leite e o suco de laranja servidos por Bolsonaro, contraditoriamente, não diminuem, mas aumentam a sede de ignorância que caracterizam os bolsominions.

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