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Opinião

Liberdade vigiada

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MILTON HÊNIO * Assistimos há poucos dias, pela televisão, cenas que entristeceram a sociedade brasileira: duas jovens adolescentes, uma de apenas 14 anos e a outra de 16, ludibriaram os pais e saíram com os respectivos namorados. Passaram-se os dias e o desespero das famílias foi terrível, até que chegou o momento final: a de 14 anos estava em um hotel, em Porto Seguro, com o jovem garçom por quem se apaixonou, e a outra, assassinada com o namorado, em um sítio abandonado. Quatro jovens marginais, delinqüentes, verdadeiros lixos humanos, após submetê-los a toda sorte de sofrimento, acabou de forma brutal com a vida deles. Durante a intensa busca até o final desse terrível drama, os pais insistiram na pergunta: por que minha filha agiu assim, se tinha toda a liberdade, o nosso afeto e a concordância para o seu namoro? É que a adolescência é uma fase da vida humana de extrema complexidade. É uma fase de transformação da vida, acompanhada de profundas modificações biológicas, psíquicas e comportamentais, que resultam da transformação da criança dependente, submissa, em um adulto com ânsia de liberdade, exigindo dos pais seus direitos e admitindo que tudo é normal. O problema é complexo em termos de educação. Os pais nãopodem ser carrascos, muito austeros, nem indiferentes. Tem que haver uma educação comliberdade vigiada, sabendo quem são os amigos dos filhos, para onde vão, a que horas estão chegando. O diálogo é imprescindível, para que haja confiança. É que muitos jovens na fase da adolescência estão sempre numa corrida desenfreada em busca de diversão. E uma boa parte deles substitui a diversão pela idéia de aproveitar a vida a todo custo, o que significa beber, ?ficar?, viajar de toda forma, dançar, tomar drogas etc.. Outros preferem o som do carro em alta velocidade, roupas exóticas, ?pega? de carro etc.. Ao contrário, há um imenso número deles que sabe valorizar cada momento da vida e brinca e vive com ética e harmonia. Isso depende da educação que recebam desde a infância e do temperamento de cada um. Certamente é de consenso que as satisfações e as decepções podem dar-se em qualquer momento da vida dos pais e dos adolescentes. Porém, bem estruturados, a situação é diferente; esses embates são bem menores. Todos nós cinqüentões e sessentões de hoje, tivemos também a nossa juventude. Vivemos uma época gostosíssima de nossas vidas. Moças e rapazes paqueravam nos bondes, durante as retretas nas praças, nas festas de Natal e nos assaltos dançantes nas residências familiares, onde não havia violência nem drogas. Havia, sim, maior entrosamento entre as famílias, de tal forma que os pais, em sua maioria, não deixavam passar despercebidos os momentos de beleza, de encantamento, de doçura dessa maravilhosa fase de menina-moça e menino rapaz, onde se entrelaçavam a ânsia de viver livremente e a necessidade premente de proteção. A juventude vive hoje um mundo em transformação. Num contexto de dúvidas e incertezas encontra-seo jovem de hoje, perplexo e confuso em suas angústias existenciais; angústias frente à necessidade de encontrar um projeto de vida e uma realização pessoal. Eu creio na juventude. Mas para que sejam felizes necessitam de uma boa estrutura familiar e de uma boa escola. Os jovens estão de braços abertos, tenho certeza, para abraçar as grandes causas e tentar ajudar na solução dos grande problemas desse País. A pedra angular da construção de um mundo mais humano, particularmente de um Brasil mais progressista e com o seu povo mais feliz, só conseguiremos mostrando aos jovens atuais, a essa juventude vibrante, o exemplo de pais e políticos responsáveis. A juventude não é apenas uma faixa etária de uma época de disputa e rebeldia; é um estado de espírito, é a ante-sala do amadurecimento, é um verdadeiro prefácio do livro da vida. (*) É MÉDICO E-MAIL: [email protected]

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