Opinião
Natal magro?
A pesquisa mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o volume comercializado pelo comércio varejista apresentou queda de 2,72% em comparação a setembro de 2002. É a décima queda consecutiva. Entre janeiro e setembro a retração nas vendas é de 5,18%, em relação ao mesmo período do ano passado. Para o IBGE, a ligeira melhora no resultado de setembro decorreu de medidas tomadas pelo governo para aumentar o consumo, como a queda na taxa básica de juros, diminuição do compulsório dos bancos e em decorrência do aumento do número de pessoas ocupadas em setembro. Apesar deste fato, na avaliação de técnicos do órgão, o comércio deve terminar o ano no vermelho, pois não haveria mais tempo para uma recuperação e a renda se mantém em queda sem perspectiva de subir a curto prazo. Há quem ache que a maior oferta de crédito não está migrando para o consumo, mas para saldar dívidas antigas. Isso impede que o dinheiro destinado ao crédito vá para o comércio. Além disso, os juros ainda estão elevados, o que inibe o consumidor de contrair novas dívidas. Por falar em juros, pesquisa da Associação Nacional dos Executivos em Finanças (Anefac) indica que as taxas médias de juros cobradas pelo comércio são as menores desde 1995. Embora tenha diminuído, a taxa de juros real no Brasil (descontada a expectativa de inflação) ainda é a maior do mundo. Para se ter uma idéia de como os juros continuam elevados, basta observar as taxas cobradas para os créditos ofertados para pessoa física. Empréstimo pessoal pelas financeiras: 330,24% ao ano; cartão de crédito: 225,33% ao ano. O alento para o comércio, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é que sejam injetados na economia, nos próximos dias, cerca de R$ 35 bilhões, por conta do pagamento do 13o salário. Como se sabe, parte destes recursos se destinará ao consumo. Mas, pelo que captam as enquetes feitas pela mídia, é cada vez maior o número de pessoas que declaram ser a primeira meta do 13o o pagamento das dívidas. Resumindo, boa parte desse dinheiro ?novo? pode ser sugado pelo ?velho? ralo do sistema financeiro.