Opinião
Tem grana em caixa
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Enquanto segue o drama vivenciado por milhares de moradores dos bairros do Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto, decorrente da tragédia em que se transformou a extração de sal no subsolo de suas residências, parece que as providências entram no modo burocrático. É como se fosse possível conviver com certa indiferença diante de um abacaxi de tal magnitude.
Em virtude da necessidade de desocupação de 6,5 mil imóveis, da realocação de milhares de famílias e a indenização de todas elas, Maceió é a única capital brasileira sob calamidade pública, reconhecida por decreto do governo federal. As cavernas, as rachaduras e os afundamentos produziram graves impactos socioeconômicos, tendo efeito direto na vida da cidade como um todo. Pelos bairros, o sentimento é de incerteza e angústia. As soluções estão lentas e a reivindicação geral é da formação de um grande mutirão para simplificar os procedimentos e dar celeridade às indenizações. Ora, não já se fez tanto mutirão no sistema prisional? Então está na hora de se realizar um esforço concentrado para acolher e acertar a vida dessa gente vitimada pela mineração de sal-gema. Assim como os que possuem o poder da caneta devem encontrar meios para acelerar a homologação das indenizações, os que se propõem a dirigir os destinos de Maceió precisam apresentar à sociedade uma proposta clara, pois são gigantescos os desafios a serem enfrentados. O anúncio efetuado pela acionista controladora da Braskem – a Odebrecht –, de que iniciou os primeiros atos do processo de venda da companhia, reforça a tese de que as indenizações devem avançar o quanto antes. É crível imaginar que eventuais dquirentes da empresa estejam dispostos a empenhar somas milionárias no negócio, desde que o monumental problema ocasionado esteja efetivamente solucionado. E dinheiro não é o problema. Pelo menos deixou bem claro o diretor-presidente da empresa, Roberto Simões, em recente entrevista ao Valor, quando qualificou como bastante confortável a posição de caixa da Braskem. O cenário econômico atual e o evento geológico em Maceió não fissuraram a liquidez da gigante do ramo da petroquímica. “A empresa tem um caixa alto, mesmo nessa condição de ciclo”, acentuou Simões. O Mutirão em defesa dos moradores vitimados pela mineração é um clamor de quem deseja reconstruir suas vidas num novo teto. Às autoridades alagoanas, resta agir para destravar o fluxo das homologações e assegurar o justo ressarcimento. Afinal, como disse o chefe da Braskem, o caixa tem grana.