Opinião
Não compre dólar agora!
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Por que não comprar dólar? Segundo Alexey Maslov, diretor do Instituto de Estudos do Oriente na Academia Russa de Ciências, “A colaboração entre a Rússia e a China na esfera financeira nos diz que eles estão encontrando parâmetros para uma nova aliança. Muitos esperavam que fosse militar ou comercial, mas a aliança se move na direção bancária e financeira e pode garantir a independência dos dois países”. Após ameaças e ataques dos EUA contra a China, a desdolarização da economia global se tornou inevitável e um caminho sem volta. Além da guerra comercial de agressão norte-americana contra a China, o aumento dos conflitos com a Rússia desde 2014, obrigou Moscou a buscar independência perante a moeda estadunidense para driblar as sanções impostas por Washington durante a gestão Obama e endurecidas sob Trump. Segundo Jeffery Frankel, economista da Universidade de Harvard, “Sanções são um instrumento muito poderoso para os EUA, mas, como qualquer ferramenta, corre o risco de que os outros comecem a procurar alternativas se as exagerar. Seria tolice supor que está escrito em pedra que o dólar será incontestado para sempre como a moeda internacional número um”. Devo ressaltar que com a vitória do referendo na Criméia que reintegrou essa região ao territorio russo e com a manutenção do “status quo” na Síria e vitória dos aliados da Rússia na região, as tensões entre Moscou e Washington se acirraram.
Não obstante, países membros dos BRICS aumentam as reservas em rublos, a moeda russa, favorecendo o comércio entre países membros desse bloco econômico que o Brasil passou a integrar e foi membro fundador durante a gestão da Presidenta Dilma Rousseff. Segundo Andrei Kostin, presidente do banco VTB, “A parcela de pagamentos sem o dólar com a UE e países do BRICS ultrapassa os 50%. Bancos russos e companhias do país reduziram a dependência do financiamento em dólar. A parcela de ativos em dólar americano nas reservas russas se reduziu pela metade”, o que pode indicar uma maior independência do rublo frente a moeda norte-americana. Essa é a primeira vez na história em que o dólar representa menos da metade do valor das negociações entre a China e a Rússia no primeiro trimestre do ano.
China e Rússia desafiam o dólar não apenas diminuindo a importância da moeda no comércio, mas almejando criar um novo sistema de liquidação global para retirar o monopólio do atual SWIFT, sediado em Bruxelas, mas sob controle técnico dos Estados Unidos. A SWIFT é uma ultrapassada sociedade de telecomunicações interbancárias mundiais, que busca agilizar a comunicação entre instituições de países diferentes na transferência de recursos. Segundo Zhang Xin, pesquisador do Centro de Estudos da Rússia da Universidade Normal da China, em Xangai, “apenas recentemente o estado chinês e as principais entidades econômicas sentiram que podem acabar em uma situação semelhante à dos russos: sendo alvo de sanções e potencialmente excluídos do SWIFT”. Enquanto o dólar fica de escanteio no comércio sino-russo, o euro ganha espaço, substituindo 30% do comércio entre os 2 países continentais e batendo novos recordes.