Opinião
Regular ou alternativo?
MÁRCIO LANZUERKSY q Quando ocupávamos o Serviço de Transportes do extinto 20º Distrito Rodoviário Federal do DNER, sempre no preocupamos, como agentes do poder público, com a qualidade de serviço e também com a preservação das opções de oportunidades e tipos ofertados ao usuário do Sistema de Transportes. Em reuniões e sempre que se apresentava o ensejo, fazíamos ver aos empresários do setor que a qualidade do serviço oferecido era a sua garantia contra o aparecimento de transporte clandestino predatório. Nesta época, sabíamos o número de passageiros embarcados e desembarcados em nosso terminal rodoviário, com origem em nossa Capital, e destino fora dos limites do Estado ou vice versa. Este controle possibilitava-nos exigir serviços extras quando a demanda se apresentava maior que a oferta e, principalmente, controlar a oferta de forma a não permitir o ?dumping?. Sempre diligenciávamos para que, só quando necessários, horários extraordinários fossem criados. Outra preocupação nossa era distribuir tais horários eqüitativamente com as empresas detentoras da permissão de transporte. Nesta mesma época, acompanhávamos, como curiosos, o serviço prestado pelas concessionárias estaduais, inclusive daquelas que prestavam serviços simultaneamente como concessionárias do governo federal. Comentávamos com responsáveis por essas empresas que usava muitas vezes o serviço interestadual por elas prestado, mas não tínhamos coragem de fazer o mesmo em suas linhas intermunicipais. Lutamos, como usuários, para implantar um serviço de qualidade dentro de nossas fronteiras. Às alegações de que o mercado não o comportava contrapomos sempre que não existia demanda para tal porque nenhuma oferta existia. Argumentávamos também, já naquela ocasião, que a empresa prestadora do serviço deveria cuidar para não sofrer prejuízos com a concorrência. Ante a demonstração de incredulidade as nossas premissas, como se estivéssemos a delirar; completava: ?Os senhores sofrem concorrência do transportador clandestino (ainda desprezível na oportunidade), sofrem a concorrência daquele que precisa de transporte ágil e confortável e, na falta deste, põe o seu carro na estrada e até de quem, viajando a lazer ou turismo, por não ter um bom sistema de transportes, prefere ficar em casa?. Felizmente, hoje o transporte está moderno existem opções variadas e o nosso povo está apto a exercitar o seu Direito Constitucional de ir e vir. Mas, infelizmente, por culpa da ganância do lucro e da falta de fiscalização atuante, surgiu uma concorrência desleal, do autônomo sem qualificação, do pirata e do desesperado por falta de emprego que procura ao volante de seu carro a sua subsistência. O mal está feito e o poder público que, por omissão, deixou a situação chegar aonde chegou, agora trabalha para regulamentar o que chama de transporte alternativo. É urgente a providência para que as opções hoje existentes sejam, além de confortáveis, seguras. Há que se regulamentar todo e qualquer serviço de interesse público. Não fazer isto significa esperar pelo caos por falta de disciplina, início de concorrência violenta e predatória entre os envolvidos, até que estes se convençam que é necessário, se não exigir providência das autoridades, adotar, eles mesmos, convenções que tornem pacífica sua convivência. (*) É ENGENHEIRO CIVIL E EX-DIRETOR EXECUTIVO DO DNER