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Zumbi vive

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Amanhã é uma data ímpar no calendário histórico brasileiro. O Dia Nacional da Consciência Negra é a primeira data a consagrar oficialmente um movimento popular de caráter, ao mesmo tempo ?subversivo? e étnico. Rebeliões (derrotadas em seu tempo) como a Praieira, Confederação do Equador, Farrapos não demoraram a ser incorporadas pelas próprias elites de suas regiões, ganhando caráter oficial local, valendo feriados ou ?pontos facultativos? em municípios ou Estados. O 20 de novembro, porém, conquistou status de data histórica no calendário oficial brasileiro (não deve isso ser confundido com feriado), numa das mais importantes vitórias de camadas sociais até então excluídas desse patamar. A princesa Isabel merece ser para sempre lembrada pela Lei Áurea, mas a dívida do Estado e da história brasileira para com os filhos d?África só poderá ser dirimida quando a inclusão dos negros na sociedade brasileira atingir níveis satisfatórios. A presença de heróis negros no panteão nacional é uma das formas inclusivas que não pode ser esquecida. Ter Zumbi como herói e 20 de novembro como data histórica ? ambos em caráter oficial ? é um grande avanço para a cidadania brasileira. E esse grande avanço tem tudo a ver com Alagoas, pois Zumbi e o último e mais importante reduto do Quilombo dos Palmares são genuinamente alagoanos. Nada mais justo que se investir na data de amanhã. É um dos maiores patrimônios da história das Américas e tem endereço certo, conhecido e reconhecido: Alagoas. Especificamente, duas áreas podem e devem ser reverenciadas nessa data: a Serra da Barriga e a Serra Dois Irmãos. Na primeira existia a capital e derradeira cidadela do Quilombo dos Palmares (a pioneira e maior experiência desse tipo em todas as Américas onde foi praticada a escravidão); na segunda, Zumbi e seus guerreiros remanescentes encontraram o último refúgio, que lhes garantiu a vida por mais de um ano depois da destruição total do quilombo. Nada mais apropriado que Alagoas se dê o devido valor como berço desses acontecimentos históricos e aposte nessas datas, nessas serras, como referências de amor-próprio e caminhos para o seu crescimento, em todos os sentidos.

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