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Opinião

Seu filho pode sentir raiva!

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Todos nós, seres humanos, vivemos e estamos constantemente experimentando as emoções básicas, que chamamos de emoções primárias. São elas: alegria, tristeza, medo, raiva, nojo e surpresa, que nos são transmitidas filogeneticamente, sendo, portanto, inatas. Cada uma dessas tem um propósito, uma função para nossa sobrevivência, dando sentido às nossas vivências.

As emoções são fenômenos expressivos e de propósitos, de curta duração, que envolvem estados de sentimentos e ativação, e nos auxiliam na adaptação às oportunidades e aos desafios que enfrentamos durante eventos importantes de nossas vidas. Gosto de dizer, que as emoções são o tempero da vida. Nenhuma emoção dura para sempre. Elas são como ondas, que vêm e vão embora. Ninguém é só triste ou só alegre. Nenhum medo é eterno, assim como nenhum nojo. Não precisamos querer fugir ou evitar alguma das emoções, mesmo porque, apesar das pessoas acreditarem que sim, não temos esse controle. Mesmo não sendo as emoções escolha nossas senti-las, já que elas, diante de um acontecimento, simplesmente aparecem, de acordo com o que esse acontecimento provocou em nós, muitos pais não aceitam, reprimindo e invalidando nos filhos as emoções consideradas “ruins” de se sentir, em especial, a raiva, o que pode intensificá-la ainda mais, como identifico constantemente no consultório, pois as crianças se sentem incompreendidas e muitas vezes, injustiçadas. Esses pais conduzem, assim, talvez por trazerem consigo crenças e ensinamentos próprios de suas infâncias, que sentir raiva é errado, é feio, é desrespeitoso, ou porque foram reprimidos ao demonstrar isso, e, até mesmo, porque a sociedade não tem bons olhos para ela, já que algumas pessoas, quando estão com essa emoção ativada, muitas vezes pode gerar dano no ambiente em que interage. Convido o leitor a entender que a raiva vai surgir em qualquer um frente a situações nas quais, nos sentirmos restringidos, privados. Portanto, não diferente no seu filho. A intensidade com que ela se manifesta depende de cada um, de acordo com seu temperamento, experiências anteriores e aprendizado. Ao invés de tentar evitá-la, o que só irá potencializar o nível emocional dela, como dito anteriormente. Aceitar e respeitar o seu filho, nesse momento, já trará conforto e alívio, tornando-se mais fácil você direcioná-lo para saber lidar com essa emoção de maneira saudável e construtiva, pois assim ele poderá internalizar que não é errado sentir raiva, ou qualquer emoção, mas que o esperado é como respondemos a cada uma delas. É importante ajudá-lo a lembrar que não precisamos e nem devemos reagir, responder ou resolver a questão a que a raiva está vinculada no momento em que estamos com ela em “ebulição”, mas sim, aguardar ela diminuir ou passar, para, aí sim, podermos agir de maneira funcional e racional. A raiva, sendo expressa assertivamente, ao invés de agressivamente, pode trazer muito aprendizado ao seu filho, que ele levará por toda vida dele.

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