Opinião
SOBREVIVÊNCIA
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O Informe Trinacional Queimadas e Desmatamento em Territórios com Registros de Povos Indígenas em Situação de Isolamento, divulgado ontem, faz um alerta sobre a ameaça que essas ações representam à sobrevivência dos povos isolados da Bolívia, do Brasil e do Paraguai, que habitam regiões da Amazônia, do Grande Chaco Americano e do Cerrado brasileiro.
O documento conclui que a perda territorial, causada pelo desmatamento e incêndios, causa deslocamento em busca de locais mais seguros, mas traz outros perigos: abordagem involuntária às populações vizinhas e possível contágio de doenças. A situação é ainda mais complicada pela presença da Covid-19, uma pandemia cujo crescimento exponencial compromete seriamente a vida desses povos. Segundo o relatório, há uma ausência não só de definição de políticas e implementação de políticas, mas também existe uma presença do estado por meio de um modelo de desenvolvimento, em que promovem a construção de hidrelétricas, o agronegócio, que avança sobre os territórios, queima e invade os territórios dos isolados. E existe uma ausência total do Estado para coibir as ações ilícitas. O documento propõe recomendações para a implementação de medidas de proteção desses povos e de seus territórios, como um plano de prevenção e combate aos desmatamentos na Amazônia, no Grande Chaco e no Cerrado. Além disso, é necessário apoiar as iniciativas de povos indígenas, fortalecendo a formação de brigadas indígenas de combate e prevenção a incêndios, além de apoiar a autoproteção dos territórios. Nos últimos anos, o mundo tem voltado os olhos para a Amazônia e cobra do Brasil ações para preservar a região, que tem a mais rica biodiversidade do mundo. Para especialistas, é preciso, no curto prazo, ter um plano estruturado para coibir o desmatamento e as queimadas. No longo prazo, é necessário um planejamento para desenvolver a região sem a necessidade de desmatar. Sem essa ação planejada e estratégica, todos os anos estaremos assistindo a mais queimadas e árvores no chão.