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Nº 5718
Opinião

Ressurgir pela paz

HUMBERTO MARTINS * Esta Semana Santa que acabamos de viver foi uma das mais atribuladas das últimas décadas. Desde que há pouco menos de 60 anos terminou a Segunda Guerra Mundial, com a vitória dos aliados – Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética

Por | Edição do dia 02/04/2002 - Matéria atualizada em 02/04/2002 às 00h00

HUMBERTO MARTINS * Esta Semana Santa que acabamos de viver foi uma das mais atribuladas das últimas décadas. Desde que há pouco menos de 60 anos terminou a Segunda Guerra Mundial, com a vitória dos aliados – Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética – contra a Alemanha nazista, que não amarga a humanidade momentos de tanta apreensão e incerteza. É verdade que houve graves guerras localizadas, na Indochina – Guerra do Vietnam – na Coréia – entre as duas Coréias, com os Estados Unidos apoiando o Sul e a China comunista apoiando o Norte –, mas jamais os horizontes estiveram tão conturbados, nestas seis décadas, como agora. Com o desaparecimento da União Soviética, o que se imaginava era que a liderança única da América do Norte traria um período de paz e estabilidade. Ledo engano. Divergências localizadas, como a que envolve o Estado de Israel e os remanescentes da antiga Palestina, põem o mundo, permanentemente, à beira de uma conflagração. Não o embate entre duas ou três grandes potências, mas uma guerra disseminada, salpicada pelo terrorismo e pelas retaliações dos que se sentem atingidos por esse mesmo terrorismo, provocando, a cada semana que passa, centenas de vítimas fatais. A própria supremacia do bloco remanescente – os Estados Unidos e seus aliados – retirou um pouco do poder moral da Organização das Nações Unidas (ONU) cuja liderança se desdobra e mobilizam, mas está longe de alcançar os resultados desejados. Por uma dessas ironias em que a História é mestra, o ponto nevrálgico de toda essa confusão é a Palestina, onde Jesus Cristo nasceu, há coisa de dois mil anos. A mensagem do mestre suave, suas palavras de despreendimento, de amor ao próximo, perdem-se no ar nublado pela fumaça dos disparos, afoga-se no solo ensangüentado, tornam-se inaudíveis pelo clamor das vítimas, pelo ódio e pela insensatez. O mundo viveu, no século passado, na primeira e segunda guerras mundiais, instantes de agonia semelhantes aos de hoje em dia. Época houve em que, desde as estepas geladas da Rússia até as planícies costeiras da França, desde o Japão até as Filipinas, os homens lutavam em nome de supostos ideais que, na verdade, também eram ambições econômicas e políticas. Nesta Semana Santa que acabamos de viver, não parece haver outro caminho para começar a diminuir a gravidade das questões que atormentam os povos do que a mensagem de paz e amor de Jesus Cristo. Após dois mil anos, nada existe de mais inspirado, genial e divino. Enquanto prevalecer a política do olho por olho, dente por dente, não se irá a parte alguma. Pois se uma das partes – os Estados Unidos – dispõe de extraordinário poderio bélico e fantástica tecnologia, a outra, influenciando mais de um bilhão de pessoas, apóia-se num fanatismo que enxerga na morte a glória suprema. É um entrechoque com o qual a humanidade tem tudo a perder e nada a ganhar. (*) é DESEMBARGADOR DO TJ DE ALAGOAS

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