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Opinião

PARAÍSO EM CHAMAS

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Por Editorial | Edição do dia 15/09/2020 - Matéria atualizada em 14/09/2020 às 23h07


Desde meados de julho, o Pantanal vem sendo devorado por um incêndio que deixa um rastro destruição em uma área maior do que a cidade de Nova Iorque. O fogo ameaça um dos ecossistemas de maior biodiversidade do planeta. Imagens do incêndio e de animais mortes circulam nas redes sociais e têm repercussão no mundo inteiro.

Não se trata de uma situação incomum. Durante décadas, fazendeiros usaram o fogo para renovar o pasto para o gado. Entretanto, este ano os incêndios tomaram uma proporção fora do comum. De acordo com dados coletados pelos satélites da Nasa, os maiores incêndios no Pantanal neste ano representam o quádruplo do tamanho do maior incêndio na floresta amazônica. Até o dia 6 de setembro, mais de 23 mil quilômetros quadrados havia sido devorado pelas chamas, quase 16% da região. O Pantanal abriga cerca de 1.200 espécies de animais vertebrados, incluindo 36 ameaçados de extinção. Em toda esta paisagem geralmente exuberante de 150.000 quilômetros quadrados, pássaros raros voam e a mais densa população de onças-pintadas do mundo vagueia. Além da questão climática, outro fator tem contribuído para o desastre ambiental. Mesmo com as queimadas na Amazônia aumentando 30% em 2019 e com o Pantanal registrando o maior número de queimadas em uma década, o governo federal vem cortando drasticamente a verba para contratação de profissionais para prevenção e controle de incêndios florestais em áreas federais. O gasto esperado com a contratação de pessoal de combate ao fogo por tempo determinado, somado ao de diárias de civis que atuam como brigadistas, caiu de R$ 23,78 milhões em 2019 para R$ 9,99 milhões neste ano – redução de 58%. Especialistas ressaltam que nem a Amazônia nem o Pantanal sofrem com incêndios espontâneos. A conclusão é que se trata de incêndios irregulares. O mundo novamente está de olho no Brasil, e o governo precisar dar uma respostas adequada. A omissão pode custar caro, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também do econômico e para a imagem do País.

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