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Opinião

Barrac�o de zinco

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RONALD MENDONÇA * Dias atrás amigos me telefonaram para saber a minha opinião sobre os novos capítulos da briga de foice do PT alagoano, aparentemente a continuação de uma novela iniciada há algum tempo. Como eu não sou do ramo e a maioridade já está chegando no limite da senectude, respondi com toda a sinceridade: estou achando um barato. Temidos pelo destempero gramatical com que brindam os adversários, abusando das hipérboles, nossos irmãos petistas se superam quando falam mal uns dos outros. Nessa dialética do ódio, na pior das hipóteses, aproveita-se para uma reciclagem no forte e rico vocabulário nordestino no capítulo que detona a reputação de alguém sem apelar para o baixo calão. Nesse aspecto, o ?cabra-de-peia?, repetido à larga mano, é quase insubstituível. Empata com o ?cabra ordinário?, que um temperamental e falecido tio, avesso a palavrões, vez por outra empregava. Há um outro aspecto que não deve ser esquecido, apesar da temperatura elevada - e bota elevada nisso - das ofensas, nós da platéia temos a quase certeza de que dali não sairá nem um traque de São João. No máximo, a ameaça de uma peixeira ? mas só por alegoria. Reconheçamos: o nosso PT que tem PhD em reduzir a ?sulfato de pó de pum? (perdoem a expressão!) a biografia de desafetos, não tem a menor vocação para crimes de morte. Viés mais civilizado, impossível. Se há um lado deliciosamente humorístico a saborear ? são falas de dar inveja à Turma do Casseta ? com suas denúncias ?bombásticas? de financiamentos de campanhas ? que até as formigas de açúcar estão fartas de saber ? há um dado triste a lamentar. Como marido e mulher que ao se separarem falam horrores um do outro, o bate-boca dessa semana marca uma ruptura que se desenha irreconciliável. Com efeito, sem nem levar em conta o perfil iracundo e rancoroso dos contendores, as mútuas ofensas foram de tal forma venenosas, que hoje, ou amanhã, se essa turma resolvesse dar-se as mãos, perdoar-se, o conselho é que o fizesse bem escondidinha, posto que politicamente, como grupo, já era. Mas, o que impressiona mesmo na cizânia petista é constatar que todos perdem. Imaginem um grupo que começando em modesta atividade sindical na província, soube ampliar os espaços (para muitos, algo além da sua capacidade e merecimento), sobretudo apostando no cansaço da população com os melancólicos caciques, e, no final, mostrar-se tolamente incapaz de se manter coeso... É questão de tempo, pois, o rebaixamento do PT alagoano para o Grupo B dos partidos. A coisa vira drama quando não se sabe se há alguém com disposição ou jogo de cintura para juntar a sobra de cacos dessa impagável ?ciçaria?. (*) É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL

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