Opinião
Hora de mudar
O país vive um período de transição, não apenas porque foi eleito um presidente ex-operário e de um partido com as características do Partido dos Trabalhadores (embora hoje seja chamado por seus detratores de partido dos transgênicos, pelo enérgico repúdio com que, no poder, brindou os defensores de posições históricas que defendia na oposição), mas porque a situação brasileira exige mudanças, correção de rumos. Vivemos o último decênio sob o signo de dogmas, que terminaram por conformar um país sem nenhuma perspectiva de crescimento econômico, preso às próprias bases de uma equação rígida que preconizava abertura de mercados, privatização e estabilização. Em nome da estabilidade da moeda, os maiores desatinos foram cometidos e os resultados esgarçaram ainda mais sofrido tecido social brasileiro. Colocada como princípio, meio e fim do processo econômico, a estabilização da moeda (nos moldes do governo FHC) provocou o maior empobrecimento da população brasileira numa década. A transferência de renda foi brutal, com reflexos até hoje na renda dos trabalhadores. Segundo pesquisa do IBGE, o emprego industrial no Brasil apresentou recuperação pelo segundo mês consecutivo. Mas o mesmo não acontece com a renda do trabalhador, que apresenta queda, também pelo segundo mês consecutivo, já acumulando perdas no ano de 5,9%. O trágico da economia brasileira é que depois de uma década de crescimento médio pífio (em torno de 2%), com os resultados que todos conhecemos, nem mesmo a propalada estabilização da moeda se sustenta. Segundo pesquisa da consultoria Global Invest, o real é a moeda mais volátil do mundo. O resultado, segundo o estudo, ?indica que o mercado de câmbio brasileiro continua muito suscetível ao humor do mercado financeiro?. Apesar das autoridades econômicas do governo do presidente Lula persistirem no mesmo caminho do governo anterior, será inevitável uma mudança, seja no sentido de reorientar os rumos da economia brasileira, ou aprofundando o modelo neoliberal em vigor, como deseja o Ministério da Fazenda.