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Mudan�as pol�micas

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Na semana passada o Brasil tomou conhecimento de um documento divulgado pelo Ministério da Fazenda, assinado por Antônio Palocci e pelo secretário de política econômica, Marcos de Barros Lisboa, intitulado ?Gasto social do governo central: 2001-2002. Nele, são defendidas as idéias do fim da educação superior gratuita e de revisão da política de universalização dos gastos sociais (que é dirigida para o conjunto da população). Tão logo o documento veio a público, não faltaram defensores dessas idéias (que não conseguiram ser levadas adiante no governo FHC). Lideranças tucanas elogiaram e têm as suas razões, pois esse documento é quase uma cópia integral de um outro elaborado pelo Banco Mundial, a ponto de não se distinguir o autor de trechos como esse: ?A possibilidade de o governo reduzir a carga tributária ou mesmo de mantê-la no atual patamar, sem comprometer o ajuste fiscal e estabilidade da economia, depende fortemente de sua capacidade de reformar o gasto social, reduzindo a proteção exagerada que atualmente provê para um pequeno segmento da sociedade?. Mas os gastos sociais no Brasil privilegiam, realmente, a parcela mais rica da sociedade? Segundo Guilherme Delgado, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do Ministério do Planejamento, esse discurso de que o gasto social protege os ricos é inconsistente, sem fundamentação. É posição somente ideológica. Em sua opinião, os gastos com educação, saúde e INSS beneficiam as camadas mais pobres da população e não as mais abonadas: ?O benefício médio do INSS é de 2 a 2,5 salários mínimos. Quem ganha isso é rico?? E mais: ?Se eles acabassem (os benefícios com aposentadorias e pensões) a linha da pobreza, aquela do Fome Zero, que considera 9 milhões de famílias, aumentaria em dez pontos percentuais?. Partindo de onde partiu, apresentado como documento oficial e assinado por um dos mais importantes e prestigiados ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o documento parece indicar rumos, caminhos para os investimentos sociais do governo nos próximos anos. Se concretizada, será uma das modificações mais profundas a serem impostas à sociedade brasileira nas últimas décadas.

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