Opinião
O mundo está doente
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O tema do evangelho de hoje tocou-me profundamente. Mostrou a desproporcionalidade entre a dimensão ortográfica da palavra e a grandeza de sua essência, do seu significado.
Parar para pensar no perdão é uma necessidade premente. Toca o coração dos mais céticos, provoca uma série de questionamentos importantes e necessários ao bem viver e direciona nossa vida para o caminho da verdade. E o que dizer sobre o perdão? Será usual praticá-lo? Será fácil perdoar? Muito difícil, para mim, responder a essas três perguntas. É necessário muita maturidade, grandeza de espírito e humildade para entender e poder explicar o perdão. Sinto-me ainda muito distante desses três pré-requisitos e, talvez por esse motivo tenha essa dificuldade. Também não é usual e muito menos fácil praticar e perdoar. Uma injustiça, uma acusação infundada causam em mim uma revolta muito profunda, difícil de extirpar. Doe sentir que existem mentes doentias, que estão sempre esperando uma traição, uma mentira, uma punhalada. Pessoas que acreditam que a prevalência é do mal, que a verdade é, na realidade, acidental, não usual e que no mundo, todos estão contra ele. Essa ocorrência é muito mais frequente do que podemos imaginar. Por isso afirmo com convicção que o mundo está doente, precisa de socorro urgentemente, precisa de reformulação nos seus conceitos e paradigmas. Uma reforma no estatuto da vida, quem sabe, amenizaria esse problema. Uma nova proposta, com normas adaptadas à realidade de hoje, totalmente diferente da anterior, certamente poderia recolocar o mundo no seu rumo certo. Se instalássemos várias comissões: a da verdade, justiça, reconhecimento, simplicidade e objetividade, tenho absoluta certeza de que daríamos um grande passo para essa tão necessária reforma. O grande segredo está na verdade com objetividade e simplicidade. E isso tem que partir de cada um de nós. É um trabalho de formiguinha, uma construção permanente e em cadeia. Não temos que cobrar nada de ninguém além de nós mesmos. Tudo parte da conscientização e da ação individual. Assim se forma a cadeia que se tornará cada vez mais forte à medida que for crescendo numa constante. Não há força negativa que se oponha a essa corrente positiva indestrutível. Nada tem mais força do que a vontade própria de fazer, quando se tem convicção do que se quer e quando há um objetivo claro e definido. E onde fica o perdão, nessa reconstrução? Toda causa tem um efeito e todo efeito uma reação, positiva ou negativa. Conhecer os autores é importante à medida que se torna necessário, pra não dizer, imprescindível, entender profundamente os problemas causados e os efeitos e seus danos à vida. E qual seria o objetivo? Nessa hora encaixa-se perfeitamente o perdão. Não estamos aqui para julgar ou crucificar. Quem já não cometeu erros? Quem dos que erraram e se arrependeram tiveram a oportunidade de recuperação, o benefício do perdão?
O vírus da mentira, corrupção, injustiça e da desumanidade impera no mundo atual e o antídoto ou mesmo a vacina contra esse mal não depende de pesquisas laboratoriais ou de decisões governamentais mas sim, da mudança de comportamento e procedimento de cada um de nós, inclusive dos nossos legisladores e governantes que são pessoas como nós e, como tal, parte integrante do processo, da cadeia.
O mundo está doente e cada um de nós tem uma parcela de culpa que deve ser perdoada e outra parcela de contribuição que deve ser estimulada para que seja gerado o necessário oxigênio fundamental à sua sobrevivência com qualidade de vida.
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