Opinião
O GRANDE FOSSO
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A quarta edição do Atlas do Desenvolvimento Humano, lançada ontem, mostra que, nas últimas duas décadas, o Brasil buscou melhorar a qualidade de vida da população, mas a disparidade na distribuição de renda ainda é colossal. Somos o segundo país com maior desigualdade de renda do mundo, perdendo apenas para Botsuana, e esse fator não é visto apenas comparando estados, como também dentro de municípios.
Em 2017, os 10% mais ricos do País tinham uma renda per capita 17 vezes maior do que os 40% mais pobres. Os estados do Norte e Nordeste têm Índice de Desenvolvimento Humano inferior aos do Centro-Sul. Este retrato se manifesta, por exemplo, na disponibilidade de infraestrutura. Estados do Sul e Sudeste têm mais acesso à água potável, coleta de lixo e saneamento básico. Para especialistas, o Brasil conseguiu acentuar seu desenvolvimento, sobretudo a partir de 1998, quando investiu em programa de renda mínima, educação básica e ações coordenadas pelo Sistema Único de Saúde, mas os avanços ainda não foram suficientes para mudar o quadro de desigualdade. O Atlas mostra também, entre outros dados, que do total de brasileiros incluídos no cadastro único, 66,12% eram beneficiados com o Programa Bolsa Família em 2017. A proporção de pessoas pobres e extremamente pobres entre os negros no Brasil era mais de duas vezes maior do que entre brancos na passagem de 2016 e 2017. Em 2016, os extremamente pobres negros chegavam a 6,98% e os brancos 2,92%. No ano seguinte, a relação subiu para 8,02% ante 3,37%. Já os pobres negros eram 15,35%, em 2016, enquanto os brancos 6,01%. O percentual de vulneráveis à pobreza, de pobres e de extremamente pobres no Brasil aumentou de 2016 para 2017. Os vulneráveis passaram de 23,47% para 24,98%, os pobres saíram de 11,15% para 11,65% e os extremamente pobres subiram de 5,15% para 5,97%. O fato é que a desigualdade de renda precisa ser combatida, mas disse também que é preciso ter atenção à desigualdade de acesso à tecnologia e de formação, que pode ter efeito nas próximas gerações.