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Opinião

Estimular o progresso

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HUMBERTO MARTINS * Existem várias maneiras de estimular o progresso e o desenvolvimento, de parte da iniciativa privada e dos governos. A mais visível são os grandes investimentos, as fazendas para criatório de milhares de cabeças de gado, para a produção de milhares de toneladas de grão, as indústrias de porte, as grandes obras públicas, como por exemplo a transposição das águas do Rio São Francisco, iniciativa de risco que a atual administração federal, seguindo os passos da anterior, pretende adotar a toque de caixa. O longo período de retração nos investimentos, que o País viveu nos últimos anos, e que parece começar a ultrapassar, criou uma legião de milhões de desempregados, engrossada pelo número de jovens que deveriam adentrar, anualmente, ao mercado de trabalho, e que não o fazem em face da estagnação da economia e (ou) das modernas tecnologias que reduzem a necessidade de braços para as mais diversas atividades. Esses desempregados, sem possibilidades de garantir o ganha-pão para si e para suas famílias, são mais vulneráveis do que os demais ao canto-de-sereia das atividades ilegais, principalmente do tráfico de tóxicos, que apesar dos esforços das nossas autoridades, desenvolve-se de uma maneira colossal, incluindo ramificações que contam até com aeronaves, baseadas no território nacional ou em países vizinhos. Aumentar o número de empregados, nas cidades e no interior, é portanto tarefa de alta prioridade, à qual devem se dedicar todos aqueles que têm uma parcela de responsabilidade na vida pública ou privada. Uma iniciativa que merece apoio são os projetos de políticas públicas para o desenvolvimento rural da região sertaneja alagoana, definidos como prioridade pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Cedasafra/AL), que congrega órgãos públicos federais, estaduais e colaboração com diversas entidades locais. Em recente reunião, no auditório do Banco do Nordeste, em Maceió, foram apresentados detalhes do projeto ?Pacto do Alto Sertão Alagoano?, que beneficiará os municípios de Delmiro Gouveia, Água Branca, Pariconha, Olho D?água do Casado, Piranhas, Inhapi, Canapi e Mata Grande. Consiste em estruturar a cadeia produtiva da Ovinocaprinocultura com a instalação de uma fábrica-escola de processamento de carne e beneficiamento do leite caprino. A criação de cabras e ovelhas pode ser feita em pequenas áreas, a alimentação, devidamente diversificada, pode ser produzida em períodos de estiagem, e o manejo do couro, da carne e do leite são facilmente assimiláveis, principalmente para indivíduos que tradicionalmente atuam na atividade. Etapa por etapa, em iniciativas de grande porte, médias ou pequenas, a região nordestina dá passos seguros na direção de um quadro econômico que gere empregos e prenda o homem ao campo. O ?Pacto do Alto Sertão Alagoano?, que beneficiará nove municípios, é apenas um exemplo. Bom exemplo, para estimular o progresso econômico e social. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/AL

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