Opinião
Sudene, cad� voc�?
O governo federal, reconheça-se, despachou a secretária de Políticas de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Regional, Tânia Bacelar, num exaustivo périplo pelos estados nordestinos. O motivo da peregrinação foi explicar a recriação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a ex-extinta Sudene. O novo modelo de gestão proposto conteria mecanismos que evitariam as distorções que pretextaram seu fim no governo FHC. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em julho deste ano, anunciou oficialmente a recriação da Sudene, a maioria dos governadores nordestinos aplaudiu a medida. Mas, mesmo naquele momento festivo, algumas vozes já apontavam para uma questão essencial: cadê a fonte de recursos para que ela pudesse cumprir estes objetivos. O governador da Bahia, Paulo Souto, foi um dos que vociferou: ?A proposta é muito boa no campo conceitual e filosófico. Mas ainda falta clareza quanto à disponibilidade de recursos financeiros para viabilizá-la?. Enviado o projeto de recriação ao Congresso Nacional, ali só deve ser apreciado (como informou a GAZETA DE ALAGOAS em nossa edição de domingo) provavelmente no próximo ano. E o principal obstáculo que tem paralisado a tramitação do projeto se refere a uma única questão: a fonte de recursos para viabilizar o órgão. A aprovação do Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) pela Câmara Federal significou, para muitos dos deputados da comissão criada para analisar o projeto, o esvaziamento da instituição antes mesmo que fosse recriada, pois esses recursos (R$ 2,5 bilhões) não serão geridos pela revitalizada Sudene. Os governadores nordestinos, antes tão entusiasmados com a recriação do órgão, tão logo souberam que os recursos do FDR serão repassados diretamente aos estados para serem aplicados em obras de infra-estrutura, parecem terem se desinteressado pelo destino da Sudene. O risco é que se for pouco o empenho dos líderes regionais, isso poderá significar a perda de um importante instrumento de planejamento e promoção do desenvolvimento regional.