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Opinião

PRESSÃO DE FORA

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O Parlamento Europeu aprovou ontem uma resolução que pede mudanças na agenda ambiental de países do Mercosul para que seja ratificado o acordo entre o bloco e a União Europeia. O item 36 do documento ressalta que, como todos os acordos firmados pela UE, deve garantir que os produtos de parceiros passem pelo mesmo controle de qualidade, equivalência de leis trabalhistas e padrões de sustentabilidade da cadeia de produção europeia.

O texto proposto dizia que há extrema preocupação com a política ambiental de Jair Bolsonaro, que vai na contramão dos compromissos firmados no Acordo de Paris, em particular no que trata do combate ao aquecimento global e proteção da biodiversidade. O nome de Bolsonaro foi retirado, mas a frase de que não se poderia ratificar o acordo desta forma foi adotada pelos parlamentares. Não é de hoje que o mundo está de olho no Brasil em relação à política ambiental. Apesar de o presidente Bolsonaro ter afirmado, na assembleia geral da ONU, que o Brasil é um dos países que mais protegem o meio ambiente, os fatos desmentem a declaração. A rejeição ao acordo comercial é mais um reflexo do desprestígio internacional do governo, que começou já no ano passado com a explosão do desmatamento e das queimadas na Amazônia, e que vem se acentuado com a situação do Pantanal. O Brasil vem acumulando críticas de investidores e empresários importantes no Brasil e no exterior, que pedem mudanças substanciais na política de meio ambiente. Em termos financeiros, as empresas brasileiras podem perder o acesso a mais de US$ 20 trilhões das carteiras de fundos de investimento com preocupações ambientais, sociais e de governança. Sem contar o prejuízo que o agronegóciopode sofrer caso mercados europeus e norte-americanos se fechem aos produtos do Brasil. O governo parece ainda não ter se dado conta de que a condução atual da política ambiental é danosa não apenas para a natureza, mas também para a economia do País. Ignorar essa realidade é insistir no erro.

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