Opinião
Ser veterin�rio
JOSÉ MEDEIROS * Não seria exagero afirmar que São Francisco de Assis ? um santo que amava a natureza e os animais ? foi o precursor da conscientização ecológica e do meio ambiente. Tinha um singelo amor a todas as criaturas vivas. Foi autor do Cântico do Irmão Sol. Gostava e cuidava dos animais: pode ter sido um dos primeiros veterinários de que se tem notícia na história da humanidade. Lembrei esses fatos na noite de fundação da Academia Alagoana de Medicina Veterinária, reunião solene na qual tive a honra de proferir a oração oficial de saudação aos que tomavam posse nessa entidade. Foram momentos inesquecíveis, de intenso conteúdo simbólico e emocional. A criação da Academia foi justificada pela necessidade de se criar um organismo oficial para preservar as tradições da profissão, cultivar sua história e, ao mesmo tempo, ser o suporte do estudo de temas científicos, estimulando a pesquisa nesse campo. Durante o discurso provoquei um momento de descontração ao comentar o carinho que devemos ter pelos animais domésticos que fazem parte de nosso cotidiano e influenciam até nossa linguagem. São numerosas as palavras e expressões repetidas pelas pessoas no dia-a-dia. Vejamos algumas: ?Estou trabalhando feito um burro?; ?por onde você andou, seu cachorro??; ?você fala como um papagaio?; ?um urubu pousou na minha sorte?; ?prefiro um cachorro amigo a um amigo cachorro?; ?deu zebra na minha viagem?; ?hoje, você está tão vagaroso que mais parece uma mula empacada?; e, por último, essa preciosidade: ?aquele apartamento de meu amigo X é tão miúdo que mais parece uma gaiola de passarinho?. Depois dessa divagação voltei ao que mandava o protocolo. Sem dúvida, com a instalação da Academia de Medicina Veterinária concretiza-se a realização de um antigo sonho da categoria, premia os pioneiros que lutaram para afirmar e tornar reconhecida essa profissão e cria oportunidades para as demais. Minha neta, Ana Carolina Medeiros de Almeida, que cursa Medicina Veterinária na Universidade Rural de Pernambuco, enviou-me um poema que li na solenidade, intitulado Ser Veterinário. ?Ser veterinário não é só cuidar de animais. É sobretudo amá-los, cuidá-los, confortá-los, dentro de padrões éticos da ciência. /Ser veterinário não é apenas ouvir miados, mugidos, balidos, relinchos e latidos, mas, principalmente, entendê-los e amenizá-los./Ser veterinário é não se importar se os animais pensam, mas sim, se sofrem; /é dedicar-se à arte de salvar suas vidas. /Ser veterinário é ter capacidade de compreender gratidões mudas, mas, sem dúvida, sempre muito sinceras./Todos podemos nos formar em Medicina Veterinária, mas nem todos seremos veterinários, se não cultivarmos a afeição e a compreensão pelos animais?. Agradeci a honrosa deferência de saudar os acadêmicos da novel Academia de Medicina Veterinária e fiz isso dirigindo-me ao presidente Paulo Bezerra Nunes, que está sempre atento à ciência, à arte e à ética que norteiam o exercício da profissão veterinária. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE