Opinião
Rita, exemplo de vida
JOÃO TENÓRIO * Rita de Cássia de Moraes Alves Pereira foi uma dessas pessoas que têm a felicidade de reunir grandes virtudes num único ser. Inteligência, competência, sabedoria, simpatia, generosidade, coragem, senso de organização, austeridade, fidelidade. Rita lutou durante dois anos e sete meses contra um câncer. Combateu bravamente sem se deixar abater pela doença, viveu intensamente todos os seus momentos, presente em todos os acontecimentos que faziam parte de sua agenda. Às 6 horas do dia 22 de novembro de 2003, um sábado, não mais resistiu. Deixa uma enorme saudade e grandes lições. Convivi profissionalmente com Rita durante quase trinta anos. Precisamente, 29 anos, sete meses e 21 dias ? tempo em que integrou o corpo de funcionários da Triunfo Agro-Industrial S.A. Sua impecável ficha funcional foi aberta no dia primeiro de abril de 1974, como recepcionista e telefonista. Em primeiro de setembro de 1976, passava a assistente administrativo; outubro de 1978, técnica em informática, em julho de 1979, programadora de computador; em primeiro de março de 1981, assumia a Coordenadoria Administrativa, em setembro de 1983, era coordenadora financeira e, de 21 de agosto de 1998 a 22 de novembro de 2003, exerceu a Supe-rintendência Financeira. Rita de Cássia era uma unanimidade. Em uma empresa de perfil familiar transitava com igual facilidade por todos os diretores e acionistas, comunicava-se com todas as idades, sua voz era uma referência em todos esses segmentos. Na prática, muitas vezes exercia o ?voto qualificado?, definindo questões com firmeza e segurança de magistrado, ultrapassando consensualmente os limites empresariais formais. Seu discernimento mesclava a sensibilidade dos artistas como a precisão dos técnicos. Esquadrinhava minúcias, destacando os valores ali dispersos. Enxergava longe nas estratégias, distinguindo os melhores caminhos. Era capaz de uma solidariedade tamanha que se tornou confidente e conselheira da maioria das pessoas de seu convívio. Muito já se falou e se escreveu, em verso e prosa, sobre a substituição de pessoas. Já foi dito que todos somos insubstituíveis, posto as diversidades e particularidades que faz de cada ser um universo único. Também muito se fala que todos somos substituíveis, pois na máquina da vida, as coisas seguem seu rumo, independentemente dos atores e cenários. No caso de Rita de Cássia de Moraes Pereira não há motivo de hesitação em classificá-la como insubstituível. No caso dela dispensa-se a polêmica filosófica. Rita segue exemplar, como modelo e referência profissional e pessoal. E a vida seguiria mais feliz se vidas como a dela pudessem ser replicadas, se lições como a dela fossem compreendidas em toda a sua grandeza humana e profissional. (*) É EMPRESÁRIO E SENADOR DA REPÚBLICA