Opinião
Sem mudan�as
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta semana o resultado da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) referente ao mês de outubro. A taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas brasileiras manteve-se elevada: 12,9%. Em termos absolutos, esse percentual corresponde a mais 495 mil pessoas desempregadas. Somadas aos 2, 766 milhões computados anteriormente, o universo de brasileiros desempregados alcança a assustadora de 21% em termos de aumento acumulado. Além disso o instituto apurou queda no rendimento médio real dos trabalhadores: - 0,7% em relação a setembro e -15,2% comparado a outubro de 2002. As explicações oficiais para os péssimos resultados desses indicadores foram as de sempre. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, culpou os antecessores. ?A elevação dos juros se deve ao desastre do ano passado, não às políticas adotadas?. Mais uma vez se busca a dissimulação da crise sob o rótulo ?herança maldita?. Mas na equipe Lula, outros têm visão diferenciada do governo passado, entre eles, o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, que defendeu publicamente que o ex-ministro Pedro Malan, julgando-o merecedor de estátua em praça pública (Para quem não se lembra, Malan foi o arquiteto e principal responsável pela ?herança maldita?). Esta dualidade na área econômica do governo é de difícil entendimento, afinal nessa área não surgem discordâncias quanto às medidas adotadas durante a gestão Lula. E, quem critica a linha de conduta econômica da gestão passada, usa o mesmo figurino hoje. Timidamente, o ministro do Trabalho reconheceu que ?não tem mistério. Ou tem investimento em crescimento econômico ou você não combate o desemprego?. Nada mais acaciano. E como no imortal personagem de Eça de Queiroz, Conselheiro Acácio, tais obviedades não levam a lugar nenhum. São frases soltas ao vento, estéreis. Novamente, os índices alertam para a necessidade de mudanças práticas na condução econômica do governo.