Opinião
Desafio do s�culo XXI
MILTON HÊNIO * Ficamos horrorizados quando assistimos, diariamente, pela televisão, assassinatos como rotina no Oriente Médio, em São Paulo e no Rio, em que há uma demonstração da maldade humana sem limites. Sem falar no resto do mundo, inclusive aqui, entre os nordestinos. È que apesar de já estarmos no início de um novo século, notamos que há um retrocesso da humanidade em relação a uma vida civilizada. E notamos que apesar das conquistas no mundo das ciências e das artes, o homem pouco caminhou de encontro ao ideal fraterno, do sentimento universal, da paz e da harmonia. O longo caminho percorrido pela humanidade é, por si só, o testemunho histórico de que há uma força determinante no destino dos homens, que lhes tira o sentido de continuidade na busca da ambicionada ascensão para o bem. Talvez a mudança mais expressiva com que o homem moderno se defronta seja a sua própria mudança ? rápida, imprevisível e desorientadora. Independentemente da violência que nos assusta, a luta pela sobrevivência quebrou a harmonia do organismo humano, de tal forma que o câncer, a depressão, o diabete, as doenças cardíacas têm assumido proporções alarmantes. O fato é que qualquer espécie de mudança, de sobrecarga, nos impõe exigências físicas e mentais. O século XXI está aí exigindo um desafio de toda a humanidade em busca de uma vida melhor, com menos agressividade e mais espiritualidade acompanhando o progresso. No momento, eu diria que as causas mais freqüentes de distúrbios do homem são psicológicas. As estatísticas mostram que essa modificação na família, por exemplo, é de uma velocidade espantosa. Nós, atualmente, não só nos separamos daquele convívio familiar que nos era tão caro como modificamos a forma de viver. Vejamos alguns dados: quase a metade de todos os casamentos atuais termina em separação; estima-se em 40% o número de crianças nascidas nesta década que passaram pelo menos parte da mocidade com apenas um dos pais; um terço das mulheres com filho com menos de 3 anos de idade trabalha fora de casa; o número de casais que moram juntos, sem haver casamento, dobrou nos últimos 10 anos no Brasil. O fato, portanto, é que a vida familiar está mudando, a vida social está mudando também, tudo numa velocidade espantosa. Para o indivíduo sobreviver atualmente, tem de tornar-se mais ágil e capaz do que em qualquer outra época. Os ponteiros do relógio já me marcam os primeiros minutos do entardecer e fico na esperança de que os desafios deste século resultem em benefícios para uma humanidade aflita. Diz-se que a vida passa. Não, nós é que passamos pela vida. A vida será sempre uma constante no universo. Sejam quais forem as alternativas da vida, contemplemos cada dia que surge com o olhar da esperança e tentemos encontrar um sonho de vida ideal. Se nem todos podem fazer de sua dor um poema, como dizia Goethe, renovem a luta com fé e otimismo. Quando menino aprendemos a construir castelos de areia. Depois, construímos com os sonhos os castelos de nossas ambições e, assim, nos tornarmos eternos construtores, de falsos castelos que a mão do tempo vai refazendo e o mar da vida vai destruindo. Que o século XXI traga a concórdia e a paz tão ansiosamente esperada pela humanidade. (*) MÉDICO E-MAIL: [email protected]