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Opinião

Dados preocupantes

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Cerca de 24 milhões de brasileiros com cinco anos ou mais de idade - 16% da população do país - são analfabetos e a maioria (30%) dos que sequer sabem escrever o nome são indígenas. Em segundo lugar estão os negros, também com um percentual alto (23%), e, depois, os pardos, com 21%. Os brancos representam 11% dos analfabetos e os japoneses, chineses ou coreanos têm o mais baixo percentual (7%) de não-alfabetizados. Os dados constam do Volume Educação do Censo Demográfico 2000 divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta a necessidade de os governos federal, estadual e municipal terem em suas políticas públicas de educação ações específicas para os indígenas e negros, respeitando a diversidade cultural existente. O mesmo estudo mostra, ainda, que apesar da melhoria da situação educacional ao longo dos anos, principalmente na faixa etária dos 10 aos 14 anos, onde 94,6% das crianças estão na escola, apenas 1/3 da população brasileira ? pouco mais de 53 milhões de pessoas ? tem acesso à educação e que quanto menor o rendimento mensal familiar, as chances de freqüentar a escola diminuem. Lógico. Do contrário, seriam outros os quadros das regiões Norte e Nordeste, que continuam aparecendo nas estatísticas com as maiores taxas de analfabetismo e números de crianças em idade escolar e que ainda não estudam. Novamente Maceió é relacionada como a capital nordestina com o maior percentual (28%) de meninos e meninas nesta faixa etária fora da sala de aula. Como estes números indicam a realidade do País, é ainda por demais preocupante principalmente nos estados tradicionalmente mais pobres. Mesmo com os avanços consideráveis e inegáveis no campo educacional nas últimas décadas, sobretudo a partir das conquistas da sociedade com a Constituição de 1988, determinando a universalização do ensino fundamental e a erradicação do analfabetismo. Voltemos as nossas atenções, com os devidos carinho e seriedade, para essas crianças, começando pela enorme quantidade de chefes de família, entre os quais muitos ainda adolescentes, sem oportunidades de emprego e analfabetos.

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