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Opinião

Uma luta �mprescind�vel

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EDUARDO BOMFIM * Acredito que cresce a importância da temática cultural em todo o País. Este é um fenômeno evidente e extremamente construtivo. O Brasil após quase uma década de ?pensamento único?, apesar da resistência tenaz das esquerdas e demais segmentos progressistas, viu-se assaltado de conceitos doutrinários que não representam alternativa alguma para a superação dos seus entraves internos e externos. Neste período de hegemonia neoliberal, um dos mais nefastos movimentos que se avultou em nosso País é aquele conhecido como Multiculturalismo. Trata-se de um apanhado de formulações que procura negar ou falsamente reinterpretar os fenômenos históricos brasileiros e apontar, principalmente aos movimentos sociais, uma visão sobre a perspectiva de futuro pretensamente mais avançado para o Brasil. Tendo como base uma variante da sociologia norte-americana, fortemente apoiada oficiosamente pelo Departamento de Estado dos EUA, nega sistematicamente o contínuo histórico do processo da formação nacional, em seus elementos de lutas, contradições e consolidação do Brasil. É bem verdade que este processo não se resume a nós, mas atinge indiscriminadamente as nações tidas como emergentes. Nega, por exemplo, o caráter das lutas nacionais. Assim, as lutas de libertação nacional do passado e presente seriam um tremendo erro teórico e político. Podemos incluir também aí o Vietnam, Cuba e seu lema ?Pátria Livre ou Morte?, China e praticamente todos os combates que representaram o legado de resistência dos povos contra o colonialismo e o imperialismo. No máximo, seriam coisas do passado e que não possuem nenhuma razão de existirem na atualidade. Mais ainda associam sem escrúpulos a luta nacionalista com o nazismo ou o fascismo. É evidente que a luta patriótica possui conteúdo de classe, de libertação e até internacionalista, diferente dos conteúdos chauvinistas e expansionistas destes dois últimos, ligados intimamente aos objetivos, através da guerra, do capitalismo. De outro lado, visam confundir diversidade cultural com o próprio conceito de multiculturalismo. Buscam afastar as características que determinaram a conformação antropológica do povo brasileiro e substituí-la pela disputa entre raças, desaparece, em última instância o sentido de nação e sincretismo, da nossa mestiçagem, uma característica singular nossa, confundindo, desta maneira e propositalmente, a decidida luta contra qualquer tipo de discriminação de cor ou de qualquer outro tipo. Neste ponto, negam as pesquisas científicas sem, no entanto, rebatê-las com provas de qualquer espécie. Temos aqui um novo modelo de racismo. Dissociam, contrapõem a sociedade civil ao papel do Estado e um projeto nacional desenvolvimentista com inclusão social ou outro qualquer de caráter mais avançado. Os ?velhos? anarquistas eram mais diretos e coerentes neste ponto. Negam o legado cultural, que constitui o processo da formação da nossa identidade. Na verdade, o passado não importa. Seja histórico, literário, etc. A memória nacional transforma-se desta maneira em um fardo a ser descartado. É o ?passadismo?. Uma esquizofrenia dada à ausência do não reconhecimento do nosso itinerário. Por esta via não existe a possibilidade de uma ampla frente popular, democrática do povo, do trabalhador brasileiro. Simplesmente porque não existiria povo brasileiro, mas raças que possuem objetivos estratégicos distintos, antagônicos entre si. Não se pode ignorar a penetração destas concepções no seio de importantes segmentos da sociedade, principalmente na classe média e setores da periferia. Intelectuais, inclusive norte-americanos, têm alertado através de inúmeras publicações, sobre o investimento maciço por parte do imperialismo americano em tal doutrina. Outros, europeus, como Eric Hobsbawm, denunciam que uma das maiores tragédias que buscam injetar na juventude atual é a visão do presente contínuo. A luta política contra semelhante doutrina é imprescindível e uma ameaça grave contra os povos do mundo. (*) É ADVOGADO

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