Opinião
Uma crise acentuada
Estudo realizado em novembro, pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), com 1.228 das 5.561 prefeituras do País, acaba com as esperanças dos servidores de pelo menos 30% dos municípios receberem o décimo terceiro salário este ano. E também indica que, das prefeituras que vinham efetuando o pagamento deste abono em parcela única, apenas 8,01% o fizeram. Com base no levantamento, a entidade prevê que 30,58% das prefeituras que pagam o décimo terceiro em parcela única deve postergar o pagamento para o próximo ano. E entre os municípios que optam pelo parcelamento, 36% devem atrasar a segunda parcela. Dos municípios que normalmente pagam o benefício em duas parcelas, 49,19% do total, 99,89% ainda não tinham efetuado o pagamento. Segundo a mesma pesquisa, das cidades que devem pagar o décimo terceiro salário ainda neste ano, 54% disseram que efetuarão o pagamento até o próximo dia 20, 15,16% têm previsão de pagar até o fim do ano e 30,66% não têm previsão de pagamento. A CNM também divulgou outros números que servem para comprovar as crescentes dificuldades em relação a recursos na maioria dos municípios brasileiros. A exemplo dos 14,58% que estão com o pagamento dos salários regulares atrasados e dos 22,45% que devem atrasar o salário deste mês. O presidente da CNM, Paulo Roberto Ziuliskoski, aponta como principais causas da crise nos municípios a queda na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a redução no repasse do Fundo de Participação dos Municípios. Esta situação não tem nada de nova. Há vários anos que boa parte dos governos municipais, principalmente dos estados mais pobres, e que dependem quase exclusivamente do FPM, mal arrecadam para pagar o funcionalismo e manterem as prefeituras funcionando. Diante disto, não pode prosperar, sem a preocupação pelo bem comum, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que garante um repasse de mais de R$ 1 bilhão para as câmaras municipais, dinheiro este que, segundo consta, sairá do caixa das prefeituras e deve ser liberado a partir de janeiro de 2004, segundo a Agência Nordeste.