Opinião
Marcas da viol�ncia
Em 1985, Brasília sediou o seminário Segurança Cidadã na América do Sul, que reuniu representantes de 12 países sul-americanos. A situação brasileira já era das mais alarmantes por causa da violência e da criminalidade, na época do evento que discutiu, entre os temas principais, o papel dos governos na gestão da segurança cidadã. Naquela oportunidade, o secretário executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, dizia que o primeiro passo para a implantação efetiva de uma política de segurança cidadã no País seria fazer a polícia recuperar a confiança da população. Segundo ele, apesar dos altos investimentos em segurança pública, ?nem sempre é possível transmitir à população a expectativa de que vamos resolver o problema da segurança pública no nosso País?. Ideias como esta são cada vez mais necessárias. Mas faltam ser devidamente executadas, como o próprio povo tem constatado no dia-a-dia, inclusive em nosso Estado, com os casos de envolvimento de policiais no chamado crime organizado. Como se não bastasse a desatenção quanto aos investimentos na melhoria das condições de funcionamento de muitas das próprias repartições do setor. A começar das delegacias. Começamos o século com cerca de 46 mil homicídios no Brasil. Praticamente o mesmo número de vítimas norte-americanas durante toda a guerra do Vietnã. Já em 2005 éramos um dos estados detentores dos maiores índices de mortes por arma de fogo. As marcas das ações do banditismo somente têm crescido, mesmo nos locais mais movimentados da capital e do interior. Fazendo vítimas inclusive entre os integrantes do Judiciário e do Ministério Público, como da Igreja Católica. Estes últimos, coincidentemente, quando esta mesma Igreja volta a dedicar mais uma Campanha da Fraternidade à questão da segurança pública.