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Opinião

Procura-se equil�brio

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MARCOS DAVI MELO * O governo venceu mais uma no Congresso Nacional. A alíquota de imposto de renda para a classe média foi mantida nos 27,5% e não vai sofrer reajustes para compensar a inflação do período. Aqui, o IPTU vai ter um aumento acima de 13%. Para o próximo ano, a única coisa garantida é o arrocho da classe média. A classe média que trabalha, produz e que muito tem a ver com o consumo e o aumento da demanda por produtos, por serviços e, conseqüentemente, por empregos. Ela vai pagar a conta das decisões e das reformas ora em andamento em Brasília. Aqui, somando insatisfações, o anúncio de aumento do IPTU vêm em um momento dos mais inadequados. Principalmente para os moradores da Pajuçara e da Ponta Verde, que pagam as maiores taxas e tem durante dois meses do ano a sua rotina virada pelo avesso, com prejuízos significativos à sua qualidade de vida, pela qual pagam um alto preço. Eles ainda não vêem respostas aos seus apelos e é inevitável que se sintam inconformados com esta situação. Voltei esta semana de um evento nacional que reuniu as entidades filantrópicas de combate ao câncer de todo o País, onde uma autoridade do Ministério da Saúde anunciou as ações específicas do seu ministério. Entre outras, alardeou com eloqüência que o Ministério vai mandar cinqüenta novos mamógrafos para os estados. Vários dos presentes logo alertaram que na maioria dos estados as entidades filantrópicas tradicionais, engajadas há muitos anos na luta contra o câncer, mantinham mamógrafos com profissionais especializados em permanente disponibilidade para o SUS, mas não tinham cobertura financeira para fazer as mamografias. Pior, existiam já inúmeros mamógrafos seminovos distribuídos pelo País totalmente parados, enferrujando e sem atender a comunidade. Ainda mais aparelhos, sem o indispensável provimento de profissionais para operacionalizá-los e também sem a garantia de custeio, seria aumentar o parque de elefantes brancos a enferrujar, montados ou encaixotados. Peri a passu, a televisão mostrou uma quantidade enorme de trens enferrujados no meio do mato, abandonados por todo o País. Os trens, os mamógrafos e incontáveis outros equipamentos indevidamente sucateados são o patrimônio público dilapidado, que fez e faz falta em incontáveis outros setores críticos. É incalculável o desperdício de dólares para o exterior neste longo descontrole estatal. Em Brasília governa o PT, mas poderia ainda ser o PSDB ou outro dos que os antecederam, a lamentável sensação que nos toma é a mesma que fez Adam Smith raciocinar: ? Toda vez que os governos pretendem fazer nossos negócios, fazem-nos menos bem e mais dispendiosos que nós mesmos?. A sociedade civil precisa filtrar devidamente a propaganda estatal, que por mais estimulante que aparente ser, não faz as suas contas com equilíbrio e raramente contabiliza a relação entre custo e benefício, o que ela faz diariamente. (*) É MÉDICO

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