Opinião
Efeitos da mis�ria
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em seu relatório anual sobre a situação das crianças no mundo, traz à reflexão dos governos e povos de várias regiões do planeta uma série de problemas da maior gravidade. E todos eles necessitam de medidas urgentes. De soluções que não devem continuar só nos discursos e nas promessas das campanhas eleitorais. Não podem ficar por muito tempo ainda sem as providências imprescindíveis as deploráveis situações mostradas no levantamento do Unicef. Ou o mundo pode continuar, por exemplo, com 121 milhões de crianças, entre as quais, cerca de 65 milhões de meninas em idade escolar que não estão indo à escola, aumentando as chances de que morram ao dar à luz ou de que vivam na pobreza? O Brasil aparece no mesmo estudo em 93o lugar, melhorando apenas uma posição em relação ao ano passado, entre 130 países no ranking do Unicef, no qual o primeiro da lista é pior. O ranking é feito pelo índice de mortalidade até os cinco anos de idade. Segundo essa instituição, apenas Guiana, Bolívia e Peru na América Latina têm uma colocação pior que a brasileira. De acordo ainda com o Unicef, no mundo, as meninas são a maioria fora da escola. Entretanto, o Brasil apresenta um problema maior de meninos deixando a escola. O seu relatório também mostra que a desigualdade de gênero contra os meninos começa a aparecer aos 10 anos, quando tem início o abandono à escola em uma taxa superior à das meninas. Para se ter uma idéia de como esse quadro é merecedor de maiores preocupações em nosso País, informa o relatório 19,2% dos meninos na faixa etária entre 15 e 17 anos já deixaram a escola pelo menos uma vez. Esses são alguns dos enormes e crescentes desafios que não serão vencidos por nenhuma nação sem que os governantes, as instituições governamentais e não-governamentais, os legisladores e aplicadores das leis, decidam direcionar, cada vez mais, suas maiores atenções na busca de meios para a minimização das causas e efeitos da miséria e da pobreza.