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Opinião

Ainda os idosos

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No começo deste mês, tivemos conhecimento de que, pela primeira vez na história, a expectativa de vida no Brasil supera os 70 anos. Pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2002, ao nascer, os brasileiros têm uma esperança de vida de 71 anos e as mulheres estão vivendo 7,6 anos mais que os homens. Ainda de acordo com o IBGE, a nossa expectativa de vida está acima da média mundial. Ocupamos a 88ª posição no ranking da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo 192 países. O primeiro lugar da lista é do Japão, com 81,6 anos de expectativa de vida, e a última posição fica com a Zâmbia, onde a população vive cerca de 32,4 anos, que era a expectativa do Brasil no início do século 20. Só estes números devem, desde agora, provocar discussões suficientes para que as instituições, começando pelas públicas, venham desenvolver ações no sentido de proporcionar efetivas condições de sobrevivência digna da maioria dos nossos idosos. É preciso que atentemos para a realidade em que vive a maior parte das pessoas com mais de 60 anos nas diversas regiões do País, com pouca renda, sem rendimento algum, ou dependendo exclusivamente do salário mínimo da pensão ou da aposentadoria. Se ela não basta, voltemos nossas atenções para a advertência feita, há poucos dias, pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), de que, nos próximos 50 anos, a proporção de maiores de 60 anos vai triplicar na região. Segundo a Cepal, os maiores de 60 anos em 2000 representavam 8% da população latino-americana. Mas as projeções indicam que até 2050 uma em cada quatro pessoas será uma pessoa mais velha, uma proporção equivalente a 23,4% da população total, e uma cifra que ultrapassará 184 milhões de habitantes. Não apenas os especialistas neste tema sabem que, nas regiões, entre as quais nos encontramos, que não priorizam, como deveriam, garantias de vida digna para o jovem e o adulto de amanhã, há maiores desafios a enfrentar quando ocorrem enormes transformações como essa, do envelhecimento da população.

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