Opinião
M�xime Scibile
DOM FERNANDO IÓRIO * Multiplicam-se, em Alagoas, as faculdades fomentando o espaço da educação superior. Amplia-se o horizonte do pensar. O pensamento vive em busca do ser, do seu fascínio, da sua sedução. A propósito, o ser, ao se mostrar, seduz o pensamento. Por ser maxime scibile, sempre fascina como tesouro a ser procurado. Assemelha-se o pensamento a um espelho, sem nada aprisionar, mas sem nada rejeitar. Reflete, mas não se apossa. Por mais paradoxal que pareça, pensar o ser é limitá-lo, tudo porque, sendo maxime scibile, sempre está para além do pensamento. Em tudo isso, o importante na aprendizagem é o deixar-ser. Importa ao mestre, na fadiga do buscar, ser verdadeiro jardineiro que, ao cuidar das flores, deixe ser o jardim. Ser mestre é não se apressar na busca de um saber e de uma postura; é não se tornar vento impetuoso a balançar a mangueira, ocasionando a queda de seus frutos, ainda verdes, no solo da secura. A fadiga na busca do ser está em se querer apreender, subitamente, toda riqueza do que é ilimitado, em potência. Necessário se faz saber pensar o ser, no horizonte das montanhas, sem esquecer o deixar-ser das pedras e das saliências do caminho. Com efeito, procura, por vezes, o pensamento apreender o ser no mais alto do seu conteúdo, até as estrelas, sem perceber o deixar-ser que vive acontecendo nas pedras e nos sulcos da estrada. A linguagem do pensamento tem de refletir, continuamente, o sentido do ser no enredo do mundo, sem desrespeitar o deixar-ser do cotidiano indefinível, no seu potencial de riqueza. Convença-se o mestre de que, por mais que descubra a verdade do ser, resta-lhe, ainda, um grande espaço não explorado do deixar-ser ignorado. É esse deixar-ser que fascina a procura da aprendizagem. Não fora assim, não haveria mais espaço para a pesquisa, para a procura científica, para o desvendar do mistério. Agradecemos a Dom Edvaldo Gonçalves Amaral o belíssimo artigo inserido neste Matutino, procurando refletir o indizível do que foi o 30 de novembro, que marcou o 50º ano do meu sacerdócio, aqui, em Palmeira dos Índios. No final de contas, o trabalho do pensador, do escritor é semelhante ao de um passarinho que fosse, cada ano, afiar o bico nas escarpas de uma gigantesca montanha, com o intuito de desmontá-la. Impossível ao passarinho desfazer a montanha, como é impossível ao pensar captar todo o conteúdo do ser em potência, que está sendo e, muito menos do ser em ato, o Deus infinito que é. Muito obrigado, Dom Edvaldo, pela tentativa de desvendar o inenarrável de 30 de novembro, na beleza do seu estilo. Deixar-ser não é acomodar-se, mas pesquisar de tal maneira, com ousadia tamanha, ciente de que nosso saber jamais ultrapassará o mistério do estar-sendo, uma vez que tudo quanto captarmos será sempre ínfima gota de cristalina água no oceano inexpugnável da riqueza do ser. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS