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Opinião

Recorda��es Felizes

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JOSÉ MEDEIROS * Professor, qual foi a formatura que lhe causou maior emoção? Existem muitas solenidades inesquecíveis a que assistiu? Essas perguntas foram-me feitas por um odontólogo antes do início da cerimônia religiosa comemorativa de seus 40 anos de formatura. Depois de refletir um pouco, respondi: foram a da minha colação de grau, em Medicina, e da Formatura Unificada da Ufal, em 1978, quando fui paraninfo geral dos concluintes dos 22 cursos existentes naquela época. Eram 442 novos profissionais a quem me dirigi, com palavras de ternura, naquela noite memorável. Eu havia convivido com eles, ao longo de seus cursos de graduação, por ocupar, nesse período, a Pró-Reitoria para Assuntos Estudantis da Ufal. Acrescento, aos eventos lembrados, a formatura de vocês, porque 40 anos depois continuam comemorando com o mesmo entusiasmo. Desses odontólogos, de 1963, fui professor de Microbiologia. Era uma turma de gente alegre, jovial, interessada na aprendizagem da profissão, difícil de esquecer. Agora, muitos deles vieram de longe, do Sul e do Sudeste, onde residem, para estar presentes nesses momentos evocativos. Um reencontro nas caminhadas da vida. Algumas constatações feitas nessa noite de comemorações provocaram tristezas inconsoláveis: dezessete colegas dessa turma já faleceram, atingidos por leis biológicas implacáveis das quais ninguém pode fugir. Durante a missa, foi feita a chamada dos odontólogos e, quando já falecidos, os colegas respondiam por eles: presente! Era a presença de muitas ausências sentidas. Em meio aos cumprimentos aproximou-se de mim uma das ex-alunas, a Shirley Aragão, que me perguntou: professor José Medeiros, o senhor se lembra que me mandou sair da sala de aula? Perguntei de pronto: de forma merecida ou injustamente? Antes que ela me respondesse, eu mesmo lhe disse: talvez de forma merecida, porque você era uma boa aluna, mas muito agitada e inquieta. Ela respondeu: mudei pouco, professor, continuo a mesma, gosto de agitação e de movimento. Os atalhos podem ter sido diferentes e o ritmo dos passos nem sempre uniformes. Mas, muitos foram os pontos comuns que uniram esses caminhantes na luta pela conquista de seus ideais. Estavam presentes alguns ex-professores: Manoel Ramalho (a quem chamávamos de ?o príncipe?), Rafael Matos Silva, Manoel da Rocha Toledo e Wild Silva, paraninfo da turma. Estes foram homenageados de maneira especial. Reencontro o amigo Moacir Andrade, que fazia parte dessa turma, e que anos mais tarde concluiu o curso de Medicina. Moacir e eu desempenhamos mandato de deputado estadual, no mesmo período, e, quando ele foi governador, escolheu-me líder de seu governo na Assembléia Legislativa. Ele continua com o mesmo entusiasmo a participar das lides políticas. Na trajetória existencial os momentos se sucedem, mas nunca são iguais. Têm sempre características próprias, diferentes dos demais. Esses cirurgiões-dentistas, de 1963, estavam felizes e apreciaram aquele bom instante que a vida lhes proporcionava. Deixaram as tristezas de lado e compartilharam as emoções com suas famílias, filhos e netos. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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