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Opinião

Um quadro lastim�vel

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Esta GAZETA mostrou, numa das reportagens especiais que publicou domingo último, a situação das pessoas que, já aposentadas por tempo de serviço e até por invalidez, são obrigadas a procurar emprego para não sofrerem maiores privações devido aos minguados valores do benefício. O quadro torna-se ainda mais preocupante quando nos deparamos com os números do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelando que quase 300 mil dos 2.888.621 moradores em nosso Estado estão na faixa entre os 50 e 69 anos de idade. O contingente de segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) espalhados pelo território alagoano é formado por 289 mil moradores que vivem, em sua maioria, com aposentadoria ou pensão que não ultrapassa o salário mínimo. Somados, seus benefícios chegam a R$ 70 milhões e reforçam bastante as economias do Estado. Em boa parte dos nossos municípios, a quantidade desse dinheiro, todos os meses, é maior do que o repasse dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Há poucos dias, o Diário de Pernambuco publicou uma matéria, através da qual a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobaf) estima que, de cada dez idosos que saíram do mercado de trabalho, nos últimos anos, um retornou para aumentar a renda. Justamente, quando eles deveriam estar desfrutando de uma aposentadoria tranqüila, aproveitando os restos dos anos, viajando, curtindo os netos. Infelizmente, esse segmento da sociedade vê-se cada vez mais obrigado a voltar ao ?batente?, com problemas de saúde, devido à redução crescente do poder aquisitivo, quando mais precisa de assistência médica, de remédios, de passar mais tempo com a família. Segundo um levantamento recente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), 66% dos brasileiros, a partir dos 60 anos, sobrevivem com apenas R$ 240,00 e gastam 20% dessa quantia com a compra de medicamentos. A maioria desse contingente termina nas filas dos hospitais públicos. O que não dizer, então, da realidade vivida pela enorme população de idosos das regiões mais empobrecidas do País, como o Norte e Nordeste? Para termos um exemplo da gravidade disto, basta observar que, segundo ainda o Ipea, apenas 13% dos idosos nordestinos têm plano de saúde particular.

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