Opinião
Incoerência e atraso
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Em recente mensagem, a Organização das Nações Unidas chamou a atenção do mundo para o fato de que o setor turístico pode ser uma plataforma de contribuição à superação da pandemia. É que o segmento promove solidariedade e confiança, constituindo-se em “ingredientes cruciais para o avanço da cooperação global, que é tão urgentemente necessária no mundo”.
Diz ainda a ONU: “O turismo é um pilar essencial da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Os Meios de Subsistência de muitos dependem, especialmente mulheres e, principalmente, nos países mais vulneráveis do mundo, incluindo os pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países menos avançados”. Do comunicado das Nações Unidas sobre turismo, para a manifestação da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Alagoas, constatando que 67% dos turistas que estiveram no Estado, em setembro, são de origem nordestina. A maioria desses visitantes veio de Pernambuco, Sergipe e Bahia. O fluxo turístico segue a tendência brasileira pós-isolamento social: viagens de curta distância, viajantes dominantemente regionais e pouco tempo de estada. O segmento turístico é de grande empregabilidade, e o Brasil vem seguindo a tendência mundial, com o turismo ocupando posições de destaque na contribuição econômica. Dados aferidos antes da pandemia já atestavam que 8% do PIB nacional provêm das atividades ligadas ao setor, que vinha respondendo por um entre cinco de todos os novos postos de trabalho criados globalmente. Em agosto, pelas páginas da Gazeta, o governo do Estado atribuía ao turismo a responsabilidade por compras superiores a RS 400 milhões anuais, tendo expressiva participação na geração de empregos e oportunidades de negócios. Acontece que a retórica oficial de exaltação do turismo, como atividade econômica a ser impulsionada, segue em proporção inversa a certas ações no campo da infraestrutura, sobretudo aquelas que deveriam ser aceleradas para contribuir com a alavancagem do segmento turístico local.
É o caso, por exemplo, da obra de duplicação da AL 101-Norte, que começou em 2016 e até agora não passou de Jacarecica. Ora, se o governo sabe da potencialidade da região Norte e dispõe da informação de que o turismo regional tende a se fortalecer, então por que não priorizar a duplicação da rodovia?
A grave crise de mobilidade urbana da capital, o crônico congestionamento do trânsito em direção ao Norte e a força dessa atividade econômica até Maragogi exigem uma tomada de posição do governo. É preciso agir rápido e descontar o atraso. Do contrário, o que vem sendo trombeteado permanece chafurdando na incoerência.
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