Opinião
O que escolhem?
CARLOS BEZERRA BRANDÃO * Alguém falou que não é a loucura que convulsiona o mundo, é a consciência. Embora aparentemente alguns dos segmentos da sociedade estejam perplexos com o nível de violência que assustadoramente corrói o tecido social, contraditoriamente esses mesmos segmentos teimam em tapar o sol com a peneira. Aliás, violência essa que sempre atingiu e atinge a classe pobre, dizimando seus filhos (fome, violência, desemprego, etc.) e que nunca perturbou a tranqüilidade e a consciência das Elites. Violência essa que começa a avançar sobre as elites que, perplexas, exigem soluções. Realmente! Todos estamos sendo encurralados e, viver, se torna cada dia um grande sacrifício. E o que fazer? Será realmente que estamos dispostos a sacrifícios em prol de um mundo onde a sabedoria, o amor, a fraternidade se sobreponham sobre a iniqüidade e o desamor? Ou como sempre, vamos adiando, escondendo a verdade nua e crua. Essa crescente distribuição ou mesmo socialização da violência é apenas o resultado do tipo de sociedade que criamos e adoramos. Portanto, as pessoas não deveriam ficar tão revoltadas e surpresas com suas próprias criações. E o que é pior: continuamos a alimentá-la e, sobretudo, passamos ao cidadão a idéia de que não existe outro modelo superior a este. Nas décadas de 60 e 70 nós já tínhamos consciência de que esse modelo de capitalismo levaria o País à separação e não à união de seu povo. O próprio Ronaldo Lessa, hoje governador de Alagoas fazia parte desse grupo de jovens e todos nós o admirávamos pela grandeza de sua compaixão, de solidariedade e ternura que devotava a todos, independentemente da classe social. Ronaldo sempre esteve anos-luz à frente nesse requisito, tanto que defendíamos uma Revolução Social de larga escala, onde o ser humano seria a essência de tudo. A contra-revolução veio e nossos sonhos foram adiados. Perpetuaram-se os privilégios de alguns em detrimento da maioria, numa concentração de renda brutal, num estilo de sociedade onde a cultura da violência penetra em nossas casas 24 horas por dia. A ?concorrência? (salve-se quem puder) passa a ser o ato mais nobre do indivíduo inteligente. Na verdade, a maioria das pessoas está satisfeita com esse estilo de vida, no qual a sobrevivência é para os mais aptos, o prestigio é o que conta, a competição é necessária e o sucesso é considerado o bem maior. Se esse sistema também produz ?perdedores?, isso não importa: Desde que você não esteja entre eles. Neale Donald Walsch diz: ?A exploração da classe social inferior é justificada com declaração da classe superior de como suas vítimas estão melhor agora do que estavam antes dessas explorações?. Assim a classe superior pode ignorar a questão de como todas as pessoas deveriam ser tratadas para ser feita a verdadeira justiça, ao invés de apenas tornar uma situação terrível um pouco melhor - e obter um lucro desonesto com isso. A maioria das pessoas ri quando alguém sugere um tipo de sistema diferente do que está em vigor, dizendo que comportamentos como competir, matar e o vencedor ficar com o produto da pilhagem são o que torna a sua civilização poderosa! A maioria das pessoas até mesmo acha que não há outro modo de ser, que é da natureza humana comportar-se assim, e que agir de outro modo mataria o espírito interior que leva o homem a ser bem-sucedido (Ninguém faz a pergunta: ?Ser bem-sucedido em que??). Portanto, não adianta a sociedade ficar traumatizada, revoltada e outras coisas mais. É necessário que floresça no interior de cada um a verdadeira revolução (evolução). Nas minhas conversa solitária com Deus sobre estas questões, ele me falou: ?Olha Carlos! Não mexerei uma palma da mão para reverter essa situação gerada pelo egoísmo e sede de poder por vocês mesmo. Portanto, as soluções dependem de vocês?. A verdade é que este estilo de vida está aos pouco nos enforcando, mostrando como somos ignorantes nos conceitos mais básicos das sociedades civilizadas. Não sabemos como resolver os conflitos sem violência. Não sabemos como viver sem medo. Não sabemos como agir sem interesse pessoal. Não sabemos como amar incondicionalmente. A grande questão é: Que tipo de sociedade queremos? Que tipo de sistema econômico queremos? Se não estamos satisfeitos com o que está aí, vamos pra rua exigir dos governos mudanças antes que seja tarde e não tenhamos que lamentar tragédias maiores que cedo ou tarde atingirão indistintamente a todos. ?A incapacidade de experimentar o sofrimento do próximo como seu próprio é o que permite que esse sofrimento continue?. A consciência é que faz a experiência e nessa equação ninguém é inocente. É pegar ou largar. O que vocês escolhem? O que vocês escolhem? (*) É ENGENHEIRO CIVIL