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Opinião

SEM VALORIZAÇÃO

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Comemora-se hoje, no Brasil, o Dia do Professor. A efeméride tem origem no fato de que, em 15 de outubro de 1827, o imperador D. Pedro I assinou um decreto que criou o Ensino Elementar no Brasil, com a instituição das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do País. Embora a figura do professor seja exaltada em prosa e verso, na prática verifica-se que, ao longo das décadas, a carreira docente vem sendo desvalorizada tanto na questão salarial quanto socialmente. Por isso, cada vez menos jovens manifestam interesse de encarar uma sala de aula.

De acordo com levantamento feito pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), com base nos dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2015, apenas 3,3% dos estudantes brasileiros de 15 anos querem ser professores. Quando se trata daqueles que querem ser professores em escolas, na educação básica, esse percentual cai para 2,4%. Não é difícil entender o porquê. Professores de escolas públicas ganham, em média, 74,8% do que ganham profissionais assalariados de outras áreas, ou seja, cerca de 25% a menos. De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os professores brasileiros ganham metade do salário que os mesmos profissionais dos países da organização. Faltam planos de carreiras atrativos, sobretudo em estados e municípios com orçamento restritos. Além disso, muitas escolas não oferecem estrutura adequada para o bom exercício docente, em geral com salas de aulas superlotadas. Há outras distorções. O Brasil ainda tem muitos docentes que atuam em áreas que não foram formados. A melhoraria da qualidade da educação no País passa necessariamente pela valorização dos professores, não apenas na questão salarial, mas também na formação continuada e na melhoria das condições de trabalho. É preciso fazer com que a profissão docente volte a atrair o interesse dos estudantes e não se torne apenas uma última opção. É mais um compromisso que deve ser assumido por aqueles que querem governar os municípios.

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